OPERAÇÃO GORJETA

Após vereador dizer que trabalhou como garçom, polícia afirma que ele era dono da peixaria; VEJA O VÍDEO

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Após vereador dizer que trabalhou como garçom, polícia afirma que ele era dono da peixaria; VEJA O VÍDEO

Relatório da Deccor aponta que ex-presidente da Câmara de Cuiabá administrava o restaurante e tentou ocultar patrimônio durante afastamento do mandato

A Polícia Civil de Mato Grosso desmentiu a versão apresentada pelo vereador afastado Chico 2000 (sem partido), ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, de que teria trabalhado como garçom durante o período em que esteve fora do mandato. De acordo com a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), o parlamentar atuava, na prática, como proprietário e gestor de uma peixaria, alvo da Operação Gorjeta.

As informações constam em relatório policial que embasou a deflagração da operação e ao qual a reportagem teve acesso. Segundo o documento, equipes da Deccor realizaram diligências no Restaurante Água na Boca, localizado no bairro São Gonçalo Beira Rio, e constataram que Chico 2000 dava ordens às funcionárias, acompanhava a rotina do estabelecimento e exercia funções típicas de gestão.

Durante o período de vigilância, os investigadores registraram imagens do vereador afastado no local e relataram que sua conduta era compatível com a de responsável direto pelo funcionamento do restaurante. Apesar disso, o empreendimento aparece formalmente registrado em nome de terceiros na Junta Comercial, o que, segundo a polícia, indica suspeita de tentativa de ocultação patrimonial.

A apuração também analisou conversas extraídas de aplicativos de mensagens entre Chico 2000 e uma mulher apontada como sua namorada. Nos diálogos, conforme a Deccor, o parlamentar orienta reformas, negocia com prestadores de serviços e realiza pagamentos, incluindo o envio de valores via PIX para despesas do restaurante.

A Polícia Civil destacou ainda a contradição entre os elementos reunidos e a declaração feita por Chico 2000 ao retornar à Câmara Municipal, após 126 dias afastado por decisão judicial no âmbito da Operação Perfídia. Na ocasião, ele afirmou em plenário:

“Arrumei um emprego de garçom e trabalhei como garçom 125 dias na melhor peixaria desta cidade”.

Para os investigadores, contudo, as diligências indicam um cenário distinto. “Apesar de deixar transparecer ao público que atuava como garçom, constatamos que ele se comportava como verdadeiro proprietário do estabelecimento”, aponta o relatório da Deccor.

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