Investigador da unidade virou réu acusado de abusar sexualmente de detenta dentro da própria delegacia
O delegado Bruno França foi exonerado do comando da Delegacia da Polícia Civil de Sorriso, em Mato Grosso, após o escândalo envolvendo o estupro de uma detenta dentro da unidade policial. O caso tem como acusado o investigador Manoel Batista da Silva, que virou réu na Justiça.
A exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (12). O ato não detalha os motivos da decisão, mas ocorre em meio à repercussão do caso que ganhou destaque nos últimos meses.
De acordo com a investigação, a detenta relatou que foi retirada da cela diversas vezes e levada para uma sala reservada da delegacia, onde teria sido estuprada pelo investigador.
A vítima afirmou ainda que foi ameaçada pelo policial, que teria dito que ela e sua filha seriam mortas caso o crime fosse denunciado. Após deixar a prisão, a mulher procurou as autoridades e formalizou a denúncia.
Durante as apurações, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) encontrou material genético do policial no corpo da vítima. Com base nas provas, a Justiça determinou a prisão preventiva do investigador.
Ao final do inquérito, Manoel Batista da Silva foi indiciado por estupro e abuso de autoridade. O Ministério Público apresentou denúncia e a Justiça aceitou a acusação, tornando o policial réu no processo. Ele permanece preso enquanto o caso segue em tramitação.
A repercussão do caso aumentou após o vazamento de áudios atribuídos a policiais da delegacia em um grupo de WhatsApp. Nas conversas, há indícios de comentários de teor sexual sobre detentas, além de suspeitas de abusos contra presos e possíveis irregularidades em procedimentos policiais.
Diante da gravidade das denúncias, a Corregedoria da Polícia Civil enviou uma equipe ao município para apurar a conduta dos servidores citados nas conversas. A OAB-MT também cobrou providências das autoridades.