Marcos Pereira Soares havia deixado a prisão dias antes do crime após inconsistência no registro judicial; jovem de 17 anos foi encontrada morta em córrego de Cuiabá
A delegada Jéssica Cristina Assis afirmou que uma possível falha no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pode ter permitido a soltura de Marcos Pereira Soares, de 23 anos, suspeito de estuprar e matar a própria irmã, Estefany Pereira Soares, de 17 anos, em Cuiabá.
O corpo da adolescente foi encontrado na noite de quarta-feira (11), dentro de um córrego no bairro Três Barras, com pedras sobre o corpo. O suspeito havia deixado o Presídio Ahmenon Lemos Dantas poucos dias antes do crime, após a expedição de um alvará de soltura.
Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, Marcos cumpria pena de 19 anos de prisão por ter assassinado Severino Messias Santos, de 56 anos, durante um roubo ocorrido em 2020. Ele também já havia sido investigado por outro homicídio cometido quando ainda era menor de idade.
Enquanto estava preso pelo latrocínio, o suspeito recebeu ainda uma segunda condenação por lesão corporal contra a companheira. Conforme a polícia, a conclusão desse processo acabou gerando um alvará de soltura, embora ele ainda devesse permanecer preso por outras condenações.
De acordo com as informações preliminares, uma inconsistência no sistema do CNJ o apontou como apto a deixar a prisão. O cadastro nacional reúne todos os mandados e alvarás expedidos contra detentos por meio do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), que funciona como um registro judicial individual.
Diante da suspeita de erro, o juiz Geraldo Fidélis, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou uma verificação para identificar possível duplicidade no registro judicial do preso e solicitou que o CNJ seja comunicado caso a falha seja confirmada.
Marcos foi recapturado na madrugada de quinta-feira (12) pela Polícia Militar de Mato Grosso.
A Polícia Penal de Mato Grosso também abriu uma apuração interna para investigar o que provocou a inconsistência no sistema que permitiu a soltura.
De acordo com a delegada, a adolescente apresentava marcas na região genital, e exames periciais estão sendo realizados para confirmar se houve abuso sexual. Durante as diligências, roupas da vítima e peças encontradas na casa do suspeito foram apreendidas para análise de material genético.
Para a polícia, os indícios apontam que o crime foi premeditado e que o suspeito teria agido sozinho.