CONFRONTO DIRETO

Governador chama de “hipocrisia” não tratar facções criminosas como terroristas e rebate Gilmar Mendes

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Governador chama de “hipocrisia” não tratar facções criminosas como terroristas e rebate Gilmar Mendes
Reprodução

Mendes critica posição do STF, diz que crime organizado “espalha terror” e afirma que medidas federais contra facções “não mudaram nada”

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), criticou duramente a posição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, contrária à classificação de facções criminosas como organizações terroristas. Sem citar diretamente o magistrado em um primeiro momento, Mauro classificou esse entendimento como “negação da realidade” e chegou a chamar a tese de “hipocrisia”.

A declaração foi dada nesta segunda-feira (30), poucos dias após Gilmar Mendes afirmar, em entrevista durante evento em Cuiabá, que não considera adequado enquadrar faccionados como terroristas. Para o ministro, o foco do combate ao crime deve estar no fortalecimento do controle do sistema prisional e na redução do poder das organizações dentro das unidades.

Na contramão dessa avaliação, Mauro Mendes foi enfático ao defender uma classificação mais rígida.
“Para mim, o maior conceito de terrorista é quem pratica o terror, quem dissemina o medo. Falar que esses bandidos não fazem isso é palhaçada”, afirmou o governador.

O chefe do Executivo estadual também citou a violência associada às facções como justificativa para endurecer o tratamento legal. Segundo ele, episódios de extrema brutalidade evidenciam que o problema ultrapassa o conceito tradicional de crime organizado.

“É desconhecer as centenas de imagens que circulam mostrando atrocidades, como execuções, esquartejamentos e outros crimes bárbaros”, completou.

Além da crítica ao STF, Mauro também direcionou ataques às ações do Governo Federal no enfrentamento às facções criminosas. Questionado sobre o pacote de medidas anunciado recentemente, foi direto:
“Não mudou nada na prática. Se não trouxe resultado, é inócuo.”

Para o governador, o avanço das organizações criminosas em diversas regiões do país é reflexo da falta de mecanismos legais mais duros. Ele afirma que, atualmente, facções exercem controle territorial em bairros e até cidades, cenário que, na avaliação dele, demonstra fragilidade do Estado.

O debate sobre classificar facções como terroristas ganhou força no Brasil em meio a discussões internacionais, especialmente após movimentações nos Estados Unidos para enquadrar grupos como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

Enquanto setores políticos defendem o endurecimento da legislação, juristas e integrantes do STF, como Gilmar Mendes, alertam para riscos jurídicos e defendem que o combate deve priorizar inteligência, controle prisional e asfixia financeira das organizações criminosas.