Valorização do barril no mercado internacional e tensão envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já levam distribuidoras a aumentarem preços antes mesmo de reajuste da Petrobras.
O Sindicato do Comércio Varejista dos Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo) emitiu um alerta informando que, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajuste nas refinarias, grande parte das distribuidoras já elevou os preços de venda para os postos revendedores nesta semana.
A movimentação ocorre em meio à escalada das tensões militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que provocaram forte reação no mercado internacional de energia. Nos últimos dias, as cotações do petróleo registraram valorização próxima de 18%, pressionando toda a cadeia de distribuição de combustíveis.
Como parte relevante do abastecimento nacional depende de combustíveis importados, os novos custos começam a ser repassados pelas distribuidoras antes mesmo de qualquer anúncio oficial do governo federal.
No mercado internacional, o barril do Petróleo Brent chegou a US$ 93,55, após registrar alta de 9,18%, impulsionado pelo agravamento da crise geopolítica no Oriente Médio.
Em Mato Grosso, a defasagem no preço da gasolina em relação ao mercado externo já chega a 17%, enquanto no diesel o índice atinge 29%. Segundo o Sindipetróleo, os postos de combustíveis são o último elo da cadeia de comercialização e não possuem controle sobre os reajustes aplicados pelas companhias distribuidoras.
A tendência é que os consumidores passem a sentir o impacto gradualmente, à medida que os estoques antigos sejam substituídos por novas remessas mais caras que chegam às bombas de Cuiabá e também no interior do estado.
Além do cenário internacional, o setor também monitora os efeitos da atualização das alíquotas do ICMS, que entrou em vigor no início de 2026.
A combinação de impostos mais elevados com a crise geopolítica na região do Estreito de Ormuz cria um ambiente de incerteza para o transporte e para o agronegócio mato-grossense, que projeta crescimento de 6% no consumo de diesel neste ano.