Médicos, empresários e empresas são alvo da polícia por esquema que superfaturava procedimentos médicos custeados com dinheiro público; TJMT afirma que liberação prematura causaria prejuízo irreversível
Durante a Operação Fio de Aço, deflagrada em novembro de 2025 pela Polícia Civil, médicos, empresários e empresas foram investigados por um esquema que direcionava contratações, simulava concorrência e superfaturava procedimentos médicos custeados com recursos públicos. O grupo atuava principalmente em processos judiciais da área da saúde, oferecendo serviços médicos com valores muito acima do mercado.
A investigação teve início a partir de uma notícia de fato do CEJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) do TJMT, que identificou orçamentos alternativos com valores significativamente menores que os cobrados nos processos. O prejuízo inicial estimado ao Estado foi de R$ 388 mil, mas as fraudes, repetidas em dezenas de demandas judiciais entre 2021 e 2025, podem ter gerado danos superiores a R$ 8 milhões. Em um caso, um procedimento cirúrgico custou entre R$ 144 mil e R$ 162 mil pelas empresas investigadas, enquanto o mesmo serviço em hospital público era de R$ 16 mil, configurando um superfaturamento de mais de 900%.
Diante disso, a Justiça manteve o bloqueio de mais de R$ 12 milhões em contas bancárias e em bens móveis e imóveis dos investigados, além de determinar cancelamento de ordens de pagamento, suspensão de valores e proibição de contratar com a Administração Pública, inclusive para serviços prestados antes da operação.
Os investigados tentaram na Justiça a liberação imediata dos valores, argumentando que o montante bloqueado ultrapassaria o prejuízo estimado. O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim, negou o pedido, destacando que o dano financeiro dos investigados é reversível, mas a liberação prematura poderia causar prejuízo irreversível aos cofres públicos.
O caso segue em investigação, com a Polícia Civil analisando documentos, contratos e orçamentos relacionados a serviços médicos em processos judiciais, buscando responsabilizar todos os envolvidos no esquema.