OPERAÇÃO PHARUS

“Lideranças coordenavam o tráfico mesmo de dentro do presídio”, afirma Polícia Civil

· 2 minutos de leitura
“Lideranças coordenavam o tráfico mesmo de dentro do presídio”, afirma Polícia Civil

Megaoperação cumpre mais de 40 ordens judiciais em Mato Grosso e outros dois estados contra grupo acusado de tráfico interestadual e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (12), a Operação Fourteen, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso voltado ao tráfico interestadual de drogas, uso de documentos falsos e lavagem de dinheiro.

Ao todo, estão sendo cumpridas 17 ordens de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilo telefônico, sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias vinculadas aos investigados, limitadas ao valor de até R$ 500 mil. As ordens foram deferidas pelo Núcleo 4.0 do Juiz de Garantias de Cuiabá, com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).

Os mandados são cumpridos nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Nova Monte Verde, Sinop, Primavera do Leste, Alta Floresta, Guarantã do Norte e Rondonópolis. Também há diligências em municípios do Espírito Santo e do Rio Grande do Norte.

Segundo a Polícia Civil, as investigações tiveram início em fevereiro de 2024, após a prisão em flagrante de uma das principais integrantes do grupo, que transportava oito tabletes de pasta base de cocaína em um ônibus intermunicipal. A partir daí, os investigadores identificaram uma estrutura criminosa organizada e hierarquizada, com atuação em diferentes estados.

As apurações apontam a existência de três núcleos principais, liderados por reeducandos que, mesmo custodiados no sistema penitenciário, continuavam coordenando as atividades ilícitas. Conforme a investigação, os integrantes mantinham comunicação constante, planejavam rotas de transporte e orientavam novos membros da organização.

O grupo utilizava estratégias para dificultar a ação policial, como documentos falsos, mudanças frequentes de endereço, comunicação cifrada e o recrutamento de “mulas” para transportar entorpecentes para estados como Goiás, Espírito Santo e Rio Grande do Norte.

Além do tráfico, os investigados também são suspeitos de lavar dinheiro por meio da movimentação de valores em contas bancárias de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.

O material apreendido durante o cumprimento dos mandados será encaminhado à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Os presos serão conduzidos ao sistema penitenciário e permanecerão à disposição da Justiça.

A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026, dentro da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento das facções criminosas em Mato Grosso. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar o levantamento patrimonial do grupo.