PEDIDO DE CPI

“Não vamos transformar denúncia de assédio em espetáculo”, diz Vereador sobre CPI na Câmara de Cuiabá

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“Não vamos transformar denúncia de assédio em espetáculo”, diz Vereador sobre CPI na Câmara de Cuiabá

Vereadora rebate pressões e defende comissão especial para proteger vítima de exposição; Maria Avalone defende CPI

A vereadora Michelly Alencar (União) afirmou nesta terça-feira (10) que a Câmara Municipal de Cuiabá não transformará a denúncia de assédio sexual envolvendo o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos, em uma “ação midiática”. A declaração ocorreu ao rebater cobranças para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso.

“Como que uma Mesa Diretora feminina vai ser a favor, ou vai acobertar, ou vai minimizar um assédio? Não, de maneira alguma. Eu tenho certeza que a mesa sempre vai se comportar assim. Esse é o momento de eu me manifestar, porque o caso aconteceu neste final de semana e eu estou aqui exatamente para dizer a todos que não compactuo com o assédio e não compactuo com o crime”, declarou Michelly.

A CPI foi proposta pelo vereador Daniel Monteiro (Republicanos), mas os parlamentares aprovaram uma comissão especial, apresentada pela vereadora Dra. Mara (Podemos), considerada mais “light” que o modelo de investigação proposto por Monteiro. Michelly explicou que a comissão especial é o instrumento viável no momento, já que a Câmara atingiu o limite máximo de CPIs em andamento.

“Uma mulher que defende mulher entende que a vítima não pode ser revitimizada. Colocar uma vítima dentro de uma CPI, com transmissão ao vivo, tendo que ficar de frente com um agressor, questionando se ela realmente foi vítima ou não, não é defendê-la”, argumentou.

Michelly criticou ainda pressões externas sobre seu posicionamento. “O voto de cabresto já acabou. Não vou aceitar que digam como uma mulher deve se comportar na política. Sempre agi dentro do rito das coisas e é assim que continuarei agindo”, concluiu.

Por outro lado, a vereadora Maria Avalone (PSDB), presidente da Comissão dos Direitos da Mulher, defendeu a abertura de uma CPI para investigar a denúncia de assédio. Ela destacou que a investigação não tem caráter político nem é direcionada contra o prefeito Abilio Brunini. “Não é contra o prefeito, não estamos contra o prefeito Abilio, até porque ele não é a pessoa que a gente quer investigar neste momento. É uma investigação que nós estamos fazendo de uma funcionária da prefeitura que recebeu um assédio sexual”, disse.

Avalone criticou ainda as dificuldades enfrentadas para viabilizar a CPI e defendeu mudanças no Regimento Interno da Câmara para permitir a instalação de novas comissões. “Infelizmente nós não conseguimos esse número e agora eu estou propondo que realmente faça uma alteração no sistema da Câmara, para que a gente possa instalar uma nova CPI”, concluiu.