Entidade pede R$ 20 bilhões para renegociação de dívidas e critica juros altos e queda no crédito rural
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) cobrou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, por mudanças no Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027 e pediu a destinação de R$ 20 bilhões para renegociação de dívidas de produtores.
Em documento enviado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a entidade critica a condução da política agrícola e afirma que o setor enfrenta uma crescente asfixia financeira.
Segundo a Aprosoja, os dados divulgados pelo governo sobre o Plano Safra 2025/2026 não refletem a realidade do campo. Embora tenha sido anunciado crescimento de 7%, a entidade aponta queda nas principais linhas de crédito.
Enquanto a Cédula de Produto Rural (CPR), com juros de mercado, teve alta de 39%, o crédito para custeio caiu 13% e os investimentos recuaram 20%. Na prática, segundo a entidade, produtores foram levados a buscar financiamento com taxas a partir de 16% ao ano.
O diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, afirmou que o cenário exige medidas urgentes.
“Precisamos de uma solução estruturada, com juros de até 8% ao ano e carência adequada. O avanço numérico esconde a retração das linhas mais importantes”, disse.
A entidade também critica a falta de inclusão de decretos de emergência nas políticas de renegociação, o que, segundo avaliação, deixa produtores sem acesso a mecanismos de alívio financeiro.
Dados apresentados pela Aprosoja apontam que, dos R$ 113,4 bilhões previstos em crédito com juros controlados, cerca de 61% ainda não foram liberados. Em Mato Grosso, o endividamento rural já soma mais de R$ 112 bilhões, com aumento nos casos de inadimplência e renegociação.
Além disso, o número de contratos firmados caiu 24%, indicando maior restrição ao crédito no estado.
Para a entidade, a Medida Provisória nº 1.314/2025 também deixou produtores de fora, mesmo com perdas comprovadas, agravando a crise no setor diante da queda nos preços das commodities.
A Aprosoja defende que o endividamento rural seja tratado como prioridade pelo governo federal.