VIAS FORAM INTERDITADAS

Regularização fundiária motiva novo protesto no Contorno Leste, que termina com intervenção policial

· 2 minutos de leitura
Foto montagem: Géssica Biazus

Uma nova manifestação tomou conta da Avenida Contorno Leste, em Cuiabá, na noite de segunda-feira (29/09), quando moradores bloquearam a via por cerca de duas horas. O ato teve como objetivo cobrar regularização fundiária e garantias de permanência na área.

O protesto  reforça a urgência de uma solução concreta para os moradores do Contorno Leste. A paralisação do tráfego, as barricadas em chamas e até o confronto com a imprensa demonstram a profunda angústia social vivida por quem teme perder não apenas um lote, mas um lar construído ao longo dos anos.

A mobilização teve início de forma pacífica, com faixas, cartazes e discursos defendendo o direito à moradia. Segundo os manifestantes, muitas famílias vivem na região há anos, mas enfrentam insegurança jurídica diante de decisões judiciais que determinam a saída dos moradores sem oferecer alternativas habitacionais dignas.

Com o avançar da noite, parte do grupo incendiou barricadas na pista, obrigando a intervenção da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros para liberar a via e restabelecer a ordem.

Após a ação das forças de segurança, o trânsito foi normalizado.

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Os moradores do Contorno Leste exigem:

  • Regularização fundiária – legalização dos lotes ocupados, com emissão de títulos de posse.
  • Direito à moradia – permanência das famílias na área, sem despejos forçados.
  • Transparência no processo – critérios claros do poder público (Executivo, Legislativo e Judiciário) sobre quem será regularizado ou removido.
  • Reavaliação social ampla – presença de técnicos sociais para identificar quais famílias vivem em situação de vulnerabilidade.

Essas demandas surgem em meio à decisão judicial que determinou a reintegração de posse da área, estabelecendo prazo para a saída voluntária dos ocupantes.

Reprodução

Discussão entre influenciador e jornalista

Durante a mobilização, ocorreu ainda um episódio paralelo envolvendo o influenciador digital conhecido como “Fiote” e a repórter Angélica Gomes, da TVR.

O influenciador tentou impedir a cobertura jornalística afirmando“não é pra postar mentira lá”. A jornalista respondeu: “eu vou postar o que tiver aqui”. A discussão foi registrada em vídeo e repercutiu nas redes sociais.

O impasse também envolve a Prefeitura de Cuiabá e o Judiciário. Em manifestação anterior, moradores protestaram em frente ao Paço Municipal.

Na ocasião, o prefeito Abilio Brunini (PL) propôs uma reavaliação social da região: se comprovado que mais de 70% das famílias são vulneráveis, a área poderia ser regularizada. Caso contrário, parte dos moradores poderia ser realocada para outros locais, como forma de equilibrar os recursos públicos destinados à habitação.

Enquanto isso, o processo judicial de reintegração mantém a comunidade sob pressão, com risco de despejo forçado.Reações e impactos

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O bloqueio da avenida provocou congestionamentos e transtornos no tráfego. Por ser uma via arterial, a paralisação mobilizou rapidamente autoridades de trânsito e segurança.

O protesto expôs a tensão entre o direito à cidade e as ordens de reintegração. A tentativa de impedir o trabalho da imprensa reforçou a percepção de desconfiança e medo entre os moradores de terem suas vozes silenciadas.

Muitos afirmam viver na área há cerca de 10 anos e relatam não ter para onde ir. A insegurança habitacional é a principal preocupação diante da ameaça de despejo.

Para que a lei não se sobreponha à dignidade humana, será necessário que Judiciário, Executivo e comunidade avancem juntos em busca de uma resposta justa e duradoura.