Secretário afirma que redução tributária acaba aumentando lucro da Petrobras e não beneficia o consumidor
O secretário de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo, afirmou nesta quinta-feira (19) que a redução de impostos sobre combustíveis não tem impacto real no bolso do consumidor e classificou a medida como ineficaz.
“Não chega na bomba. Quando você tira o imposto, ele fica no meio do caminho, fica na Petrobras, fica nas distribuidoras”, declarou o secretário durante o Encontro Técnico Reforma Tributária na Prática.
Segundo Gallo, estudos do governo estadual indicam que a desoneração tributária acaba sendo absorvida por empresas do setor, sem que o alívio financeiro seja repassado ao consumidor final.
O secretário citou como exemplo o ano de 2022, quando houve redução significativa de impostos. De acordo com ele, o período coincidiu com o recorde de lucros da Petrobras, o que, na avaliação do gestor, reforça a tese de que o benefício não chegou aos motoristas.
A declaração ocorre em meio às discussões sobre medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta dos combustíveis, impulsionada pela guerra no Oriente Médio.
Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medidas que zeraram impostos federais sobre o diesel e criaram subsídios para tentar reduzir os preços.
Apesar disso, o governo federal tem pressionado os estados a também reduzirem o ICMS. A proposta, no entanto, enfrenta resistência do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, que aponta riscos à arrecadação dos estados.
Gallo defendeu que o foco da política tributária deve estar na simplificação do sistema e na transparência, evitando que benefícios fiscais fiquem concentrados em grandes empresas sem refletir na redução de preços para a população.