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União Brasil ordena que filiados deixem cargos no governo Lula no prazo de 24 horas

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Reprodução

A Executiva Nacional do União Brasil aprovou, nesta quinta-feira (18), uma resolução determinando que todos os seus filiados que ocupam cargos no governo federal — no primeiro escalão (ministérios), em autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista ou funções de confiança — deixem os postos em até 24 horas. O prazo curto foi estabelecido para que as exonerações sejam feitas de imediato.

O comunicado, divulgado à imprensa, reforça que o descumprimento da ordem poderá resultar em sanções internas, incluindo processo disciplinar e expulsão por ato de “infidelidade partidária”. “Esse posicionamento, aliás, foi hoje unanimemente reforçado pela aprovação da resolução que determina aos filiados do União Brasil o desligamento, em até 24 horas, dos cargos públicos de livre nomeação na Administração Pública Federal Direta ou Indireta, sob pena de prática de ato de infidelidade partidária”, afirma a nota oficial.

Atualmente, o União Brasil comanda o Ministério do Turismo, chefiado por Celso Sabino (União-PA), e mantém cargos em diversos órgãos da administração pública.

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O partido também foi responsável por indicar os atuais ministros da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes (PDT), e das Comunicações, Frederico de Siqueira, embora nem todos sejam filiados diretamente ou tenham sido escolhidos exclusivamente pela legenda.

Entre os principais nomes atingidos pela decisão estão:

  • Celso Sabino (Turismo), um dos mais visados pela medida;
  • Frederico de Siqueira (Comunicações);
  • Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional).

A resolução foi assinada pelo presidente nacional do partido, Antonio de Rueda, que atualmente enfrenta polêmica após reportagens o associarem a aviões usados por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele nega as acusações.

O desembarque do União Brasil ocorre em meio a três fatores principais:

  1. Federação União Brasil–PP – a legenda já vinha manifestando desconforto e buscava se afastar formalmente da base do governo Lula, alinhando-se a uma postura de independência ou oposição.
  2. Pressão midiática – a decisão de acelerar a saída foi associada às reportagens recentes que ligaram Rueda a movimentações suspeitas do PCC, aumentando a pressão interna por distanciamento do governo.
  3. Preservação da imagem partidária – o documento da Executiva destaca a necessidade de manter independência, coerência política e disciplina, com a ameaça explícita de punições por infidelidade partidária.

Consequências imediatas

Saída de ministérios: Celso Sabino deve deixar o Turismo, e outros filiados terão de se afastar de cargos de confiança.

Reposicionamento político: o partido se reposiciona de olho nas eleições de 2026, tentando consolidar-se como força independente do governo.

Reestruturação da Esplanada: o governo terá de recompor sua base e negociar novos apoios para manter a governabilidade.

Risco de conflitos internos: a aplicação de sanções pode gerar divisões no partido entre alas favoráveis e contrárias ao rompimento.

Reações

Em nota, o União Brasil declarou solidariedade a Antonio de Rueda, classificou as reportagens como “infundadas, prematuras e superficiais” e afirmou que há uma “coincidência suspeita” entre as matérias jornalísticas e a exigência de afastamento dos filiados.

Rueda nega qualquer envolvimento com o PCC ou irregularidades no uso de aeronaves. Até o momento, não há investigações formais contra ele.

Já os filiados atingidos ainda não se pronunciaram oficialmente sobre como agirão diante do ultimato, mas a pressão interna e a repercussão nacional indicam que será difícil permanecer nos cargos sem enfrentar punições.

Impactos políticos para 2026

Governabilidade: o governo Lula perde parte da base, o que pode dificultar votações importantes no Congresso.

Imagem do União Brasil: o movimento reforça a legenda como independente e crítica ao governo, mas também gera questionamentos sobre abandonar compromissos administrativos.

Eleições de 2026: a decisão prepara terreno para que o partido se posicione distante do PT, podendo apoiar candidaturas de oposição.