ATUAÇÃO PARLAMENTAR

“Violência começa na ameaça e pode terminar em morte”, alerta Margareth Buzetti em Cuiabá

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“Violência começa na ameaça e pode terminar em morte”, alerta Margareth Buzetti em Cuiabá

Um encontro dedicado à informação, reflexão e mobilização social no enfrentamento à violência contra a mulher reuniu autoridades e público nesta quinta-feira (12), na Musiva, em Cuiabá. O evento marcou o lançamento do livro Matou Uma, Matou Todas e promoveu um amplo debate sobre feminicídio, legislação e mudança cultural.

A programação foi aberta pela senadora Margareth Buzetti, autora do chamado Pacote Antifeminicídio, que apresentou as mudanças recentes na legislação brasileira relacionadas ao crime, às penas aplicáveis e aos regimes de cumprimento. Em sua palestra, a parlamentar explicou que a Lei nº 14.994/2024 endureceu punições e ampliou o tempo de prisão em casos de violência doméstica e feminicídio.

“Essa lei endureceu as penas e aumentou o tempo de cumprimento. Nós reescrevemos o combate à violência doméstica”, afirmou. Segundo ela, a violência contra a mulher segue uma escalada que pode ser interrompida apenas com denúncia e atuação firme das instituições. “A agressão e a ameaça são os primeiros degraus. O último andar é o assassinato. Não é briga de marido e mulher, é risco real de morte”, alertou.

Durante a apresentação, Buzetti destacou dados recentes que apontam mais de 1,5 mil mulheres assassinadas por feminicídio no Brasil em um único ano. Ela ressaltou ainda que o pacote legislativo ampliou penas por lesão corporal e descumprimento de medidas protetivas, criando possibilidade real de prisão do agressor. “Penas maiores significam mais tempo longe da vítima e a chance de a mulher reorganizar a própria vida”, disse.

A senadora também defendeu a necessidade de mudança de mentalidade e compromisso do sistema de Justiça. “Mulher não é propriedade de ninguém. Não é uma luta de mulheres contra homens, é uma luta por respeito e parceria”, concluiu.
Na sequência, o jornalista e escritor Klester Cavalcanti, três vezes vencedor do Prêmio Jabuti, apresentou ao público o livro e compartilhou reflexões sobre o processo de pesquisa e escrita da obra, fruto de anos de investigação sobre casos reais de violência extrema contra mulheres.

“O livro é resultado de seis anos de trabalho. Comecei a pesquisar o tema e me incomodaram a quantidade de homicídios e a brutalidade com que esses crimes são cometidos”, afirmou. Para o autor, muitos feminicídios são marcados por tortura e crueldade, reflexos do machismo estrutural. Ele destacou que a educação é o principal caminho para enfrentar o problema. “A educação é o único caminho para combater esse vírus que eu chamo de machismo”, disse.

Klester também chamou atenção para o fato de que, em grande parte dos casos, o feminicídio ocorre dentro de casa, espaço que deveria ser de proteção. Ao relatar experiências pessoais e percepções adquiridas durante a pesquisa, o jornalista defendeu maior participação dos homens no debate e no enfrentamento à violência de gênero.

A presidente da Academia Mato-grossense de Letras, Luciene Carvalho, reforçou a urgência de ações concretas no combate à violência contra a mulher, como o julgamento célere de processos e a prisão de réus foragidos para evitar novos crimes. Ela também enfatizou o papel transformador da educação na conscientização social, citando projetos desenvolvidos com crianças e adolescentes que abordam o tema da violência de gênero.

“A união entre instituições, sociedade civil e autoridades é essencial para promover mudanças culturais e reduzir os índices de agressões e mortes”. A presidente fez ainda um apelo para que a sociedade se mobilize de forma conjunta na construção de uma cultura de respeito e proteção às mulheres.

Realizado no mês dedicado às mulheres, o encontro foi considerado uma oportunidade de aprendizado e sensibilização social sobre prevenção, responsabilidade coletiva e proteção da vida.

O evento contou com a presença de representantes do Ministério Público, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, do Governo do Estado, por meio de secretarias estaduais, além da sociedade civil organizada, Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Politec.

A iniciativa contou com apoio: IMAN – Instituto Mato-grossense de Networking, IAMAT – Instituto dos Advogados Mato-grossenses, Musiva, BPW Cuiabá, BMCCJ e Conselho Estadual de Direito da Mulher.