CASO DE POLÍCIA

Acusados de matar dois idosos terão júri transferido para Sinop

· 2 minutos de leitura
Acusados de matar dois idosos terão júri transferido para Sinop
Reprodução

Empresária, médico e cunhado são acusados de matar dois idosos e ferir outras duas pessoas durante festa em Peixoto de Azevedo

A empresária Inês Gemilaki, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz e o cunhado dela, Eder Gonçalves Rodrigues, acusados de participar do ataque que matou duas pessoas e feriu outras duas durante uma confraternização de aniversário, em 21 de abril de 2024, em Peixoto de Azevedo, terão o processo transferido para Sinop, conforme determinação do juiz Guilherme Leite Roriz, da 1ª Vara de Peixoto de Azevedo.

O magistrado determinou a remessa dos autos após a Turma de Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) julgar procedente o pedido de desaforamento apresentado pela defesa de Bruno. Com a decisão, o Tribunal do Júri será realizado fora de Peixoto de Azevedo, onde o crime aconteceu.

Conforme a acusação, Bruno e Inês foram até a casa do garimpeiro Enerci Afonso Lavall armados e efetuaram diversos disparos contra as pessoas que participavam da confraternização.

Os tiros mataram Pilson Pereira da Silva, de 69 anos, e Rui Luiz Bogo, de 81. O padre José Roberto Domingos e Enerci também foram atingidos, mas sobreviveram. Segundo as investigações, Enerci era o verdadeiro alvo do ataque.

Eder, cunhado de Inês, teria aguardado os dois do lado de fora da residência em uma caminhonete Ford Ranger.

Em decisão proferida no dia 13 de agosto, o juiz Guilherme Leite Roriz determinou o envio do processo para a Comarca de Sinop, onde deverão ser adotadas as providências para a realização da sessão do Tribunal do Júri.

“Tendo em vista o julgamento procedente do pedido de desaforamento, determino a remessa dos autos à Comarca de Sinop/MT, para as providências necessárias à designação da sessão plenária”, diz a decisão.

O pedido de desaforamento foi apresentado pela defesa de Bruno, que alegou que a forte repercussão do caso provocou comoção social e animosidade contra os acusados, comprometendo a imparcialidade dos jurados.

Os advogados citaram manifestações hostis nas redes sociais, uma suposta “condenação antecipada” pela opinião pública e a influência do padre José Roberto, uma das vítimas, apontado como uma figura de forte importância religiosa e social na cidade.

A defesa também alegou a existência de vínculos familiares e sociais entre as vítimas e moradores de Peixoto de Azevedo. Segundo os advogados, o padre teria feito manifestações contra os acusados.

Outro argumento apresentado foi a suposta insuficiência da estrutura de segurança do município para garantir a tranquilidade durante o julgamento.

Apesar de rejeitar a alegação de falta de estrutura de segurança, o TJMT reconheceu a existência de dúvida quanto à imparcialidade dos jurados e decidiu pela mudança do local do julgamento.

Motivo do ataque

As investigações apontaram que o crime estaria relacionado a uma dívida de aluguel entre Inês e Enerci.

Segundo a apuração, a empresária teria morado por mais de um ano em um imóvel pertencente ao garimpeiro e deixado débitos e danos no local. A cobrança chegou a ser discutida em processo judicial.

Bruno, Inês e Eder respondem por dois homicídios qualificados e duas tentativas de homicídio qualificado.

A data do Tribunal do Júri ainda não foi agendada.