QUEDA DE AVIÃO

“Aeronave seria novamente empregada em atividade ilícita”, diz delegado sobre queda em Água Boa

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“Aeronave seria novamente empregada em atividade ilícita”, diz delegado sobre queda em Água Boa
PJC

Aeronave saiu de Goiânia sem autorização de voo e tinha como provável destino a Venezuela; três ocupantes morreram na queda em Água Boa

A Polícia Judiciária Civil apura se o avião que caiu no dia 10 de setembro, na zona rural de Água Boa, seria utilizado em uma atividade relacionada ao tráfico internacional de drogas. O acidente matou três pessoas, sendo um brasileiro e dois paraguaios.

Segundo o delegado Carlos Alberto Silva, o Cessna 402 já havia sido apreendido anos atrás em um processo criminal por tráfico de drogas e posteriormente vendido em leilão pela Justiça.

Cerca de quatro meses antes da queda, o avião foi comprado por um novo proprietário, que, conforme a apuração, tinha conhecimento de que ele não estava habilitado para voar no Brasil. O Cessna também não havia sido nacionalizado, não possuía matrícula brasileira nem certificado de aeronavegabilidade.

As diligências apontam que o voo partiu de Goiânia sem autorização, documentação regular ou plano de voo aprovado. A principal hipótese é que o grupo seguiria para a Venezuela, informação que teria sido confirmada por familiares de um dos passageiros.

A Polícia Civil não divulgou os nomes das vítimas em respeito aos familiares. O reconhecimento preliminar foi possível após os investigadores reconstituírem o itinerário e analisarem imagens de câmeras que registraram o embarque. A identificação definitiva depende dos exames realizados pela Polícia Científica de Mato Grosso.

“O conjunto de elementos sustenta a hipótese investigativa de que essa aeronave seria novamente empregada em alguma atividade ilícita, notadamente relacionada ao tráfico internacional de drogas”, afirmou Carlos Alberto Silva.

A investigação também analisa as circunstâncias da compra do avião e a forma de pagamento. Parte da negociação teria sido feita em dinheiro e outra parte por meio de um veículo de alto valor, que já esteve registrado em nome de uma pessoa investigada por tráfico internacional de drogas.

Outro passageiro tinha problemas com a Justiça do país de origem e restrição para deixar o território nacional.

Para os investigadores, a ausência de autorização, documentação válida e plano de voo reforça a suspeita de que a viagem ocorreu de maneira clandestina.

Os trabalhos aguardam a conclusão dos laudos periciais, principalmente os relacionados à identificação das vítimas. O caso também será encaminhado à Polícia Federal para aprofundamento das investigações.

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