Menina tinha paralisia cerebral e apresentava sinais de subnutrição e desidratação, segundo exame de necropsia
A Polícia Civil foi acionada por volta das 9h30 de domingo (20), após a equipe da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) André Maggi, em Sinop, comunicar que uma criança de 2 anos havia sido levada ao local já sem vida pelo pai.
Segundo os profissionais de saúde, a menina apresentava sinais clínicos de morte havia pelo menos uma hora. Aos investigadores, os pais disseram que ela havia sido vista com vida durante a madrugada e que, entre 5h e 6h, perceberam que a filha não respondia. O atendimento médico, no entanto, só foi procurado por volta das 7h.
Durante a investigação, peritos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) descreveram como “desnaturado” o comportamento dos pais durante a avaliação de corpo de delito.
Trecho do laudo de necropsia afirma que a postura dos dois causou “estranheza, incômodo e repulsa” nos profissionais que tiveram contato com eles.
O exame também apontou que a menina, que tinha paralisia cerebral, estava em um “sofrível estado crônico de subnutrição e desidratação”.
Conforme a perícia, a causa direta da morte foi asfixia mecânica aguda provocada por constrição cervical extrínseca, mecanismo compatível com enforcamento, estrangulamento ou esganadura.
A equipe médica também informou à Polícia Civil que a criança havia passado por uma internação recente e já apresentava sinais de desnutrição. Na ocasião, o Conselho Tutelar havia sido acionado.
Após a morte, o pai, de 20 anos, foi preso em flagrante e autuado por homicídio qualificado e maus-tratos. A mãe, de 17 anos, foi responsabilizada por ato infracional análogo aos mesmos crimes.
Os dois passaram por audiência de custódia e permanecem detidos. Em depoimento à Polícia Civil, negaram a autoria do crime.