Lumar Costa da Silva continuará no CIAPS Adauto Botelho após Justiça negar novo pedido de desinternação
A juíza Caroline Schneider Guanaes Simões, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, decidiu manter internado Lumar Costa da Silva, condenado à medida de segurança pelo assassinato da própria tia, Maria Zélia da Silva Cosmos, de 55 anos, ocorrido em Sorriso, em julho de 2019.
Lumar matou a vítima a facadas, abriu o tórax dela e retirou o coração. Após o crime, levou o órgão até a casa de uma das filhas de Maria Zélia, roubou um veículo e invadiu uma subestação de energia, onde acabou preso. Durante o interrogatório, ele confessou o assassinato.
Posteriormente, a Justiça reconheceu a inimputabilidade de Lumar, por considerar que, em razão de sua condição mental, ele não tinha capacidade de compreender plenamente o caráter ilícito dos atos. Com isso, foi absolvido sumariamente e submetido a medida de segurança com internação psiquiátrica por tempo indeterminado pelos crimes de feminicídio, furto, roubo e dano qualificado.
Em junho de 2025, após laudo e parecer favoráveis à desinternação, Lumar deixou a unidade para continuar o tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Campinas (SP), sob acompanhamento do pai.
A permanência fora do hospital, porém, durou poucos meses. Segundo os registros apresentados à Justiça, ele voltou a apresentar comportamento agressivo e ameaçador contra familiares, entre eles a ex-companheira e a filha. Os episódios resultaram em medidas protetivas determinadas pela Justiça paulista e também em investigação policial.
Diante da situação, a desinternação foi revogada e Lumar acabou recapturado em Campinas, em novembro de 2025. Desde então, permanece no Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho, em Cuiabá.
Neste ano, a equipe da unidade informou que o paciente apresentava comportamento cooperativo, sem sintomas psicóticos agudos e com relativa estabilidade clínica, recomendando uma nova possibilidade de desinternação. A Defensoria Pública também defendeu a continuidade do tratamento fora da unidade, enquanto o Ministério Público se manifestou contra a medida.
Ao rejeitar a nova tentativa de desinternação, a magistrada destacou que a estabilidade apresentada dentro de um ambiente hospitalar, com acompanhamento profissional, vigilância e medicação controlada, não é suficiente para comprovar que Lumar deixou de representar risco quando submetido à liberdade.
A decisão também levou em consideração relatórios anteriores que apontaram diagnóstico de Transtorno de Personalidade Antissocial e o histórico registrado durante a primeira experiência fora da internação, quando ocorreram novos episódios de violência e ameaças.
Diante disso, Caroline Schneider determinou que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) realize, com urgência, um novo exame para avaliar a periculosidade de Lumar. Até a conclusão da avaliação e uma nova análise judicial, ele continuará internado no CIAPS Adauto Botelho.