DEBATE CANCELADO

“Interferência indevida”: Globo cancela debate presidencial na reta final das eleições

· 1 minuto de leitura
“Interferência indevida”: Globo cancela debate presidencial na reta final das eleições
Reprodução

Decisões do TSE e do STF alteraram regras do encontro, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro não participariam

A TV Globo cancelou na noite desta quinta-feira (1º) o debate entre candidatos à Presidência da República que estava marcado para as 21h30. A emissora informou que recebeu duas decisões judiciais pouco antes da transmissão, alterando regras previamente acordadas para o encontro.

Em comunicado, a Globo afirmou que as determinações provocaram insegurança jurídica e classificou as mudanças como uma “interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”.

Uma das decisões foi da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibiu a emissora de manter no cenário o púlpito destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia informado que não participaria do debate. A medida também impediu que os candidatos presentes formulassem perguntas diretamente ao petista durante o programa.

Segundo a Globo, o púlpito vazio e a possibilidade de perguntas ao candidato ausente faziam parte das regras do debate, registradas em ata assinada pelos partidos, inclusive o PT.

A segunda decisão foi do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) entre os participantes do debate. A medida atendeu a um pedido do Solidariedade e alterou a composição do programa poucas horas antes de sua realização.

O debate já sofria mudanças na composição. Lula havia decidido não comparecer e participou de entrevista ao Flow Podcast. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, também desistiu de participar após a decisão do TSE sobre o púlpito destinado ao presidente.

Inicialmente, a Globo havia confirmado no debate Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Lula. Uma decisão anterior do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, também havia determinado a inclusão de Romeu Zema (Novo).

Com as mudanças judiciais e as desistências, a emissora decidiu cancelar o encontro. Em sua manifestação, afirmou que mantém a tradição de promover debates para permitir aos eleitores conhecer e comparar propostas dos candidatos.

O debate seria o último entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).