Antônio Gomes confessou o assassinato, mas afirmou que agiu por conta própria e atribuiu o crime a uma revolta contra a corrupção
O acusado de matar o advogado Roberto Zampieri afirmou durante a sua defesa que mataria novamente caso fosse necessário. Antônio Gomes da Silva confessou ter efetuado os disparos contra o advogado e declarou que agiu por conta própria.
“Matei mesmo e, se fosse preciso matar, mataria de novo porque ele realmente é uma desgraça”, declarou.
Durante o interrogatório, Antônio afirmou que investigou Zampieri antes do crime e que se aproximou dele usando uma história relacionada à compra de terras. Segundo o réu, a decisão de matar o advogado teria sido motivada por uma revolta contra casos de corrupção.
O julgamento dos três acusados entrou nesta quinta-feira (1º) no terceiro dia, com o início dos debates entre o Ministério Público e as defesas.
Além de Antônio, são julgados o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa. Antônio é apontado como executor dos disparos, Hedilerson como intermediador do crime e Caçadini como responsável pelo financiamento da execução.
VERSÕES DOS RÉUS
Hedilerson negou ter fornecido a arma utilizada no assassinato. Segundo ele, Antônio teria pegado a pistola sem seu conhecimento enquanto os dois estavam hospedados em Cuiabá.
“O Antônio mentiu pra mim, me traiu”, afirmou.
Caçadini também negou participação no homicídio e disse que não conhecia Roberto Zampieri. O coronel da reserva afirmou que conhecia Antônio e Hedilerson por meio da Frente Ampla Patriótica (FAP), mas negou que suas viagens a Mato Grosso e movimentações financeiras tivessem relação com o crime.
ACUSAÇÃO
O Ministério Público sustenta que o assassinato foi planejado e executado com divisão de tarefas entre os três acusados.
Entre as provas apresentadas estão mensagens recuperadas durante a investigação. Em uma delas, enviada após a morte do advogado, aparece a frase: “Coronel, missão cumprida”. Outra mensagem registra: “Iniciando plano de retirada”.
Para a acusação, as conversas indicam uma atuação coordenada entre os envolvidos. As defesas contestam essa interpretação.
JULGAMENTO
Após os depoimentos e interrogatórios, acusação e defesa apresentam suas teses aos jurados. Depois dos debates, ainda podem ocorrer réplica e tréplica.
Em seguida, o Conselho de Sentença se reúne para responder aos quesitos sobre a responsabilidade dos acusados. A partir das respostas, o juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, dará a sentença.
Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, quando deixava o escritório onde trabalhava.