Caçadini foi condenado a 21 anos e 10 meses pelo assassinato; trio recebeu mais de 68 anos de prisão
O Ministério Público afirmou durante o Tribunal do Júri, encerrado na madrugada desta sexta-feira (02), em Cuiabá, que o coronel aposentado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria cobrado entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para não revelar às autoridades os nomes dos mandantes do assassinato do advogado Roberto Zampieri.
A informação foi apresentada pelos promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins durante os debates. Segundo a acusação, as investigações reuniram elementos indicando que Caçadini teria solicitado os valores como forma de impedir que ele e outros envolvidos apontassem quem havia encomendado a execução.
Além dessa suposta cobrança, o MP afirmou ter identificado pagamentos diretamente relacionados ao assassinato. Conforme a acusação, R$ 124.250 foram entregues antes da morte de Zampieri e outros R$ 60 mil depois do crime.
Para os promotores, os valores reforçam a tese de que o homicídio foi planejado e cometido mediante recompensa, uma das qualificadoras reconhecidas pelos jurados.
“Eu tenho 27 anos de Ministério Público. Eu nunca vi um crime de recompensa e homicídio mercenário com tantas provas”, afirmou Samuel Frungilo durante a sessão.
Vinícius Gahyva Martins também destacou o planejamento atribuído aos envolvidos e a forma como o advogado teria sido surpreendido.
“Planejaram e esperaram o melhor momento de vulnerabilidade da vítima para poder retirar o seu bem mais precioso, o direito de viver”, declarou.
Após três dias de julgamento, o Tribunal do Júri condenou Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas pela morte de Roberto Zampieri.
Antônio foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão. Hedilerson recebeu pena de 25 anos, enquanto Caçadini foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias. Somadas, as penas chegam a 68 anos, 9 meses e 30 dias.
A sentença foi proferida às 0h49 desta sexta-feira (2). Os três foram condenados por homicídio triplamente qualificado, com reconhecimento das qualificadoras de crime mediante paga ou promessa de recompensa, recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito.
Papel dos réus
Segundo a denúncia do Ministério Público, Antônio Gomes da Silva foi o responsável pelos disparos que mataram Zampieri.
Hedilerson Fialho Martins Barbosa foi acusado de participar da execução do plano e de fornecer a arma utilizada no crime.
Caçadini foi apontado como integrante da articulação e relacionado à negociação e aos valores envolvidos na execução.
Durante o julgamento, os três apresentaram versões diferentes. Antônio confessou os disparos e afirmou ter agido como uma espécie de “justiceiro”. Hedilerson negou ter entregue a arma e disse que Antônio teria pegado a pistola sem sua autorização.
Caçadini negou participação no assassinato e afirmou que sequer conhecia Zampieri.
As versões apresentadas pelos réus não convenceram o Conselho de Sentença, que reconheceu a responsabilidade dos três pelo homicídio.
Assassinato
Roberto Zampieri foi morto a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando saía do escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Segundo o Ministério Público, o assassinato foi planejado e executado mediante pagamento. A investigação apontou divisão de tarefas entre os envolvidos, com Antônio responsável pelos disparos e os demais ligados à articulação da execução.
O celular de Zampieri também deu origem a outras investigações, incluindo apurações relacionadas a suspeitas envolvendo integrantes do Judiciário. Esses procedimentos são independentes da ação penal que resultou na condenação dos três réus pelo assassinato.