CASO RENATO NERY

“Não constato manifesta ilegalidade”, diz desembargador ao manter prisão de acusada de mandar matar Nery

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“Não constato manifesta ilegalidade”, diz desembargador ao manter prisão de acusada de mandar matar Nery
Reprodução

Empresária é acusada de participação na morte do advogado Renato Nery e está presa desde maio de 2025

O desembargador Gilberto Giraldelli, da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou o pedido de habeas corpus da empresária Julinere Goulart Bentos, suspeita de envolvimento no assassinato do advogado Renato Nery, segundo a defesa.

Julinere está presa desde 8 de maio de 2025. No pedido, os advogados alegaram excesso de prazo na tramitação do processo, principalmente porque ainda não foi analisado o recurso apresentado contra a decisão que determinou que ela seja submetida ao Tribunal do Júri.

A defesa também afirmou que a filha adolescente da empresária teve uma piora no quadro emocional durante o período em que a mãe está presa. Por isso, pediu que a prisão fosse substituída por medidas cautelares.

Na decisão, proferida nesta quinta-feira (17), Giraldelli afirmou que não identificou, em uma análise inicial, ilegalidade que justificasse a soltura imediata da empresária.

“Não constato, prima facie, manifesta ilegalidade, teratologia ou abuso de poder aptos a ensejar a extravagante concessão liminar do writ”, escreveu o desembargador.

Segundo o magistrado, a alegação de excesso de prazo precisa ser analisada levando em consideração o andamento do processo, incluindo o recurso apresentado pela defesa, as remessas dos autos e as diligências realizadas durante a tramitação.

A defesa também questionou a participação das filhas de Renato Nery como assistentes de acusação. Os advogados argumentaram que essa atuação não poderia fazer o processo retornar a etapas que já foram encerradas.

Giraldelli afirmou que essa questão também precisa ser analisada com maior profundidade antes de uma decisão definitiva.

Sobre a situação da filha adolescente de Julinere, o desembargador afirmou que o assunto já foi analisado anteriormente pela Justiça, que não encontrou fundamentos suficientes para substituir a prisão por medidas cautelares.

Agora, a 14ª Vara Criminal deverá encaminhar informações sobre o processo ao TJMT em até cinco dias. Depois, a Procuradoria-Geral de Justiça deverá apresentar parecer.

Somente após essas manifestações a Terceira Câmara Criminal deverá analisar definitivamente o habeas corpus.

Assassinato de Renato Nery

Renato Nery, de 72 anos, foi assassinado em 5 de julho de 2024, em frente ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por sete tiros, chegou a ser socorrido, mas morreu na madrugada do dia seguinte.

As investigações apontaram que o crime estaria relacionado a uma disputa judicial por uma área de mais de 12 mil hectares, localizada em Novo São Joaquim.

Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi são apontados como mandantes do assassinato. Segundo a investigação, Renato Nery havia conseguido na Justiça uma liminar que suspendeu o pagamento de arrendamentos mensais superiores a R$ 2 milhões.

Também foram identificados os policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira, Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira, apontados como intermediários do crime.

Alex Roberto de Queiroz Silva foi identificado como executor e já foi julgado pelo Tribunal do Júri. Ele foi condenado a 36 anos de prisão.

Segundo as investigações, o crime teria sido cometido mediante promessa de pagamento de R$ 215 mil. Os demais envolvidos permanecem presos e ainda não foram condenados.