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“O Antônio mentiu pra mim, me traiu”: Hedilerson nega participação na morte de Zampieri

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“O Antônio mentiu pra mim, me traiu”: Hedilerson nega participação na morte de Zampieri
Reprodução

Réu afirmou que deixou a pistola no hotel e só soube da acusação quando foi preso

Hedilerson Fialho Martins Barbosa negou participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri durante seu interrogatório no Tribunal do Júri, em Cuiabá. O réu afirmou que Antônio Gomes da Silva pegou sua pistola escondido e utilizou a arma para cometer o homicídio.

Segundo Hedilerson, Antônio também estava em Cuiabá e ofereceu um quarto de hotel para que ele pudesse economizar nas despesas da viagem. O réu afirmou que o companheiro de quarto contava uma história sobre uma suposta compra de terras no Texas e que, apesar de saber que Antônio frequentava um escritório, nunca questionou os detalhes.

Os dois, conforme Hedilerson, se conheceram após os atos de 8 de janeiro de 2023 e passaram a integrar a Frente Ampla Patriótica (FAP).

Ao falar sobre a arma, Hedilerson afirmou que deixou a pistola guardada em uma maleta no quarto e que Antônio teria retirado o armamento sem seu conhecimento para cometer o assassinato.

“O Antônio mentiu pra mim, me traiu”, declarou.

Hedilerson também negou conhecer Roberto Zampieri ou frequentar o escritório do advogado. Ele ainda afirmou que nunca recebeu qualquer aviso de Antônio para não viajar a Cuiabá e disse que tomou conhecimento da acusação apenas quando foi preso.

Durante a sessão, houve momentos de tensão entre defesa e acusação. Em uma das discussões, o advogado Igor Monteiro e o promotor Vinícius Gahyva trocaram intervenções e a defesa pediu que a situação fosse interrompida.

O réu também afirmou que policiais teriam registrado a senha de seu cofre de armas durante a prisão. A partir disso, levantou questionamentos sobre a possibilidade de o armamento ter sido alterado posteriormente para coincidir com os resultados da perícia balística.

Sobre fotografias de corpos encontradas em seu celular, Hedilerson afirmou que as imagens circulavam em grupos de praticantes de tiro.

Questionado sobre sua relação com o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado pelo Ministério Público como financiador do crime, Hedilerson afirmou que o conheceu por meio da FAP.

Ele confirmou que o grupo e Caçadini ajudaram a custear sua viagem a Cuiabá, mas disse que o apoio estava relacionado ao esporte e à defesa do transporte de armas entre estados.

Hedilerson também explicou que a palavra “missão”, utilizada em mensagens trocadas com Caçadini, seria um termo comum no meio militar para designar atividades do grupo. Segundo ele, a expressão não tinha relação com qualquer plano de assassinato.

Ao final do interrogatório, o réu ainda criticou Antônio, afirmando que ele passou a fazer pregações religiosas e adotar esse perfil somente depois de ser preso.