Rafael Milas levou documento e uma carta de renúncia após senador negar que a família tenha recebido incentivos fiscais
O candidato ao Governo de Mato Grosso Rafael Milas (Missão) afirmou que Wellington Fagundes (PL) deixou o local após ele apresentar à imprensa um documento relacionado a benefícios fiscais recebidos pela Zootec, empresa ligada ao filho do senador. O episódio ocorreu depois do debate da TV Vila Real, realizado nesta quinta-feira (1º).
Milas mostrou aos jornalistas o documento e também levou uma carta de renúncia para que Wellington assinasse, retomando uma promessa feita anteriormente pelo candidato do PL de deixar a disputa caso fosse comprovado que sua família havia recebido incentivos fiscais.
“Quando mostrei o papel, ele corre. Correu na hora que viu que o papel era verdadeiro. Está aqui, pessoal, é um documento oficial. Está escrito. O CNPJ é deles, está na empresa deles”, afirmou Milas.
O candidato disse que não é contrário aos incentivos fiscais, mas questionou Wellington por negar que empresas ligadas à família tenham recebido benefícios.
“Sou a favor de incentivos fiscais, não estou demonizando, mas a questão é: o cara fala que não recebe, que vai renunciar à candidatura. Seria um favor se fizesse isso”, declarou.
Durante o debate, Wellington afirmou que não possui empresa beneficiada e que seu filho não recebe recursos incentivados pelo Prodeic. O senador também desafiou Milas e Otaviano Pivetta a apresentarem documentos que comprovassem a acusação.
Após o confronto, Milas disse que esperava apresentar o documento ao lado de Wellington diante da imprensa.
“Eu estava à disposição. O Wellington tinha combinado ‘vamos juntos à imprensa mostrar’. Fiquei esperando o que combinamos. Estou aqui com o documento, então refute com a verdade”, afirmou.
Os registros da Secretaria de Estado de Fazenda mostram que a Zootec, administrada por João Antônio Fagundes Neto, filho de Wellington, acumulou cerca de R$ 1,081 milhão em renúncia fiscal de ICMS entre 2019 e 2025. No entanto, a própria Sefaz classifica esses benefícios como não programáticos, vinculados ao Regime Optativo de Tributação, e não ao Prodeic.
Essa classificação passou a ser o centro da discussão. Wellington sustenta que a empresa não recebeu benefícios do Prodeic, enquanto Milas e Pivetta utilizam os registros de renúncia fiscal para questionar a declaração feita pelo senador durante a campanha.
No vídeo gravado após o debate, Milas afirmou ainda que preparou a carta de renúncia para que Wellington cumprisse a promessa feita anteriormente.
“Eu achei e está aqui. Tinha até preparado a carta de renúncia da candidatura. Facilitei a vida dele e ele saiu correndo”, disse.
O candidato também acusou Wellington de utilizar “malabarismo semântico” ao diferenciar os tipos de benefício tributário.
“Independentemente de qual palavra é, ele tem o benefício do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso”, afirmou.
Wellington, por sua vez, manteve a versão de que as empresas ligadas ao filho não recebem incentivos do Prodeic e afirmou que pretende apresentar documentos para