Advogados afirmam que vão explicar a origem do crime e contestam a versão de que Antônio seria um executor profissional
A defesa de Antônio Gomes da Silva, réu confesso pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, afirmou nesta quarta-feira (30) que pretende apresentar novos detalhes sobre a origem e as circunstâncias do crime durante o Tribunal do Júri, realizado no Fórum de Cuiabá.
Minutos antes do início da sessão, o advogado Nilton Ribeiro de Souza disse que a defesa vai expor informações que, segundo ele, ainda não foram apresentadas de forma completa no processo.
“Vocês verão a verdade de tudo sobre a morte do doutor Roberto Zampieri. Durante o júri, vocês vão saber tudo o que aconteceu”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de os novos elementos envolverem os supostos mandantes do assassinato, o advogado não antecipou detalhes, mas voltou a dizer que a defesa pretende esclarecer o caso.
“Hoje vai ser um dia diferente em Cuiabá, porque a verdade vai aflorar. Depois de vários anos de um caso emblemático, de um caso enigmático, a verdade vai sair hoje aqui. A bomba vai estourar”, declarou.
O advogado Neyman Augusto Monteiro, que também integra a defesa, afirmou que os questionamentos serão direcionados à origem do crime e às circunstâncias que levaram à morte de Zampieri.
“Nós vamos mostrar o porquê isso aconteceu, como isso surgiu, da onde surgiu, da onde veio isso. Nós vamos deixar muito claro o que aconteceu”, disse.
DEFESA CONTESTA VERSÃO SOBRE EXECUTOR
A defesa também contestou a caracterização de Antônio Gomes como um executor profissional. Nilton afirmou que o réu teria vindo de Minas Gerais para Cuiabá motivado por questões relacionadas à suposta comercialização de decisões judiciais em Mato Grosso.
“Muita família honrada, muito pai de família foi lesada por essa prática nefasta. Muita gente. E isso foi um dos motivos de indignação de Antônio”, afirmou.
Questionado se essa revolta teria levado Antônio a agir como uma espécie de justiceiro, o advogado respondeu que o réu ainda será apresentado aos jurados.
“Vocês não conhecem o Antônio. Vocês não fazem ideia. Antônio veio de Minas Gerais para Cuiabá atrás de justiça”, declarou.
Nilton também rejeitou a classificação do cliente como “sicário” ou assassino profissional e questionou o fato de ele ter chegado a Cuiabá sem portar uma arma.
“Sicário que vem para Cuiabá sem uma arma de fogo? Que sicário é esse? Que assassino que chega em Cuiabá e não traz uma arma?”, questionou.
JULGAMENTO
O júri reúne Antônio Gomes, o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa. Antônio é apontado como autor dos disparos que mataram Zampieri; Hedilerson, como intermediador da execução; e Caçadini, como responsável pelo financiamento do crime, conforme a acusação.
O julgamento começou na terça-feira (29), após ter sido remarcado para setembro devido à dissolução do Conselho de Sentença em julho, quando um dos jurados passou mal.
Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, nas proximidades do escritório onde trabalhava.
As afirmações feitas pela defesa nesta quarta-feira fazem parte da estratégia apresentada aos jurados e ainda serão confrontadas com as provas e os demais elementos do processo.
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