JÚRI ADIADO

Advogados abandonam julgamento de Carlinhos Bezerra e júri é remarcado pela Justiça

· 2 minutos de leitura
Advogados abandonam julgamento de Carlinhos Bezerra e júri é remarcado pela Justiça
Reprodução

Defesa alegou falta de tempo para analisar o processo; juíza marcou nova sessão para 31 de julho e determinou que o réu constitua outro advogado

O advogado Elson Marcelino da Silva Júnior abandonou, na manhã desta terça-feira (21), o julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, no Tribunal do Júri, em Cuiabá. Outros dois advogados que atuavam na defesa também deixaram a sessão, alegando que não tiveram tempo suficiente para analisar os autos do processo.

Diante da desistência da defesa, a juíza Mônica Catarina Perri, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, suspendeu o julgamento e remarcou a sessão para o dia 31 de julho. A magistrada ainda determinou que o réu constitua um novo advogado. Caso isso não ocorra, a Defensoria Pública assumirá a defesa.

Filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos Bezerra responde pelo assassinato da ex-namorada, Thays Machado, e do então companheiro dela, Willian Moreno.

O duplo homicídio ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá. No mesmo dia, o acusado foi preso em uma fazenda da família, localizada no município de Campo Verde.

As investigações apontaram que, antes do crime, Carlinhos monitorava os deslocamentos da ex-companheira. A Polícia Civil identificou 71 registros de geolocalização de locais frequentados por Thays, que eram baixados, armazenados no celular e posteriormente impressos pelo acusado. Segundo a investigação, os programas de monitoramento foram instalados durante o relacionamento.

De acordo com a polícia, Thays havia registrado boletim de ocorrência contra o ex-namorado. No dia do crime, ela estava no prédio para devolver um veículo emprestado pela mãe, utilizado para buscar o namorado no aeroporto.

Em novembro de 2023, Carlinhos conseguiu prisão domiciliar por decisão do Tribunal de Justiça, em razão de problemas de saúde. O benefício previa monitoramento por tornozeleira eletrônica e outras restrições judiciais.

No entanto, em fevereiro de 2024, o Ministério Público conseguiu revogar a medida após apontar descumprimento das condições impostas pela Justiça. Relatórios do monitoramento eletrônico registraram deslocamentos para locais não autorizados, incluindo uma viagem a Rondonópolis, além de outras saídas incompatíveis com a prisão domiciliar.

Na ocasião, a Justiça concluiu que o estado de saúde do acusado permitia tratamento no sistema prisional e determinou seu retorno à prisão.

Desde então, a defesa apresentou diversos recursos para tentar adiar o julgamento, todos rejeitados pelo Judiciário. A sessão desta terça-feira havia sido remarcada após um pedido da própria defesa, que alegou necessidade de mais tempo para analisar as provas produzidas durante a investigação.