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“Ele não esboçou nenhuma reação de choro”, diz delegado sobre suspeito de matar mulher e bebê

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“Ele não esboçou nenhuma reação de choro”, diz delegado sobre suspeito de matar mulher e bebê
Reprodução

Taymilla Reis foi atingida ao menos 40 vezes e filho de quatro meses sofreu cinco perfurações

O delegado Daniel Moura, responsável pela investigação das mortes de Taymilla Reis, de 23 anos, e do filho dela, de quatro meses, revelou novos detalhes do crime ocorrido na manhã de quinta-feira (17), em uma fazenda na região de Luciara. Segundo ele, a mulher sofreu ao menos 40 golpes de canivete, enquanto o bebê foi atingido cinco vezes.

O principal suspeito é Jailton Gonçalves Coelho, de 29 anos, marido de Taymilla e pai da criança. Conforme informações preliminares da perícia repassadas à Polícia Civil, as duas vítimas foram atacadas com golpes de canivete.

Em depoimento, Jailton afirmou que a discussão começou por volta das 7h, na residência onde morava com a mulher e os filhos. Segundo a versão apresentada por ele, o desentendimento teria ocorrido porque Taymilla pretendia deixar a propriedade e seguir para Porto Alegre do Norte, onde aguardava os patrões para buscá-la.

O suspeito apresentava um ferimento na cabeça e disse ter sido atingido pela mulher com um pedaço de madeira durante a discussão. Para a investigação, porém, a lesão pode ter ocorrido no momento em que Taymilla tentava se defender do ataque.

O delegado ressaltou que o ferimento apresentado por Jailton não justifica a violência praticada contra a mulher e o bebê. A dinâmica completa ainda depende da conclusão dos exames periciais.

Antes do ataque, Taymilla chegou a telefonar para a mãe pedindo ajuda. O irmão dela, de 18 anos, foi até a propriedade e relatou à Polícia Civil ter presenciado Jailton puxando os cabelos da irmã enquanto a golpeava com o canivete.

Naquele momento, o bebê ainda estava vivo e chorava. O rapaz deixou o local para procurar ajuda.

Taymilla e o filho foram encontrados a aproximadamente 700 metros da residência onde viviam. Para a investigação, a distância indica que a mulher tentava deixar o local durante o ataque.

Após o crime, equipes policiais fizeram buscas e localizaram Jailton dormindo. De acordo com o boletim de ocorrência, ele foi preso sem oferecer resistência.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito não possui antecedentes criminais. Ele deverá responder pelo feminicídio de Taymilla e pela morte do bebê, conforme o enquadramento definido pela investigação.

Durante o depoimento, Jailton não teria demonstrado reação emocional diante do relato sobre as mortes. Segundo Daniel Moura, ele apenas afirmou que estava arrependido.

“Ele não esboçou nenhuma reação de choro e não se mostrou abalado. Apenas disse que se arrependia”, relatou o delegado.

Além do bebê, Taymilla e Jailton tinham outros três filhos, com idades entre 3 e 8 anos. As crianças estavam na casa dos avós no momento do crime.

Daniel Moura afirmou ainda que, em aproximadamente dez anos de atuação nas polícias civis de São Paulo e Mato Grosso, nunca havia se deparado com um crime de tamanha brutalidade.

Jailton deve passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (18). A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer a motivação e a dinâmica completa das mortes.