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Sem salários, motoristas podem parar e transporte coletivo corre risco de interrupção

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Sem salários, motoristas podem parar e transporte coletivo corre risco de interrupção
Reprodução

Recursos destinados à folha de pagamento do Grupo Caribus foram bloqueados; trabalhadores cogitam paralisação e serviço pode ser afetado

A retenção de aproximadamente R$ 910 mil destinados ao pagamento dos funcionários do Grupo Caribus acendeu um alerta sobre a continuidade dos serviços de transporte coletivo e escolar prestados pela empresa. O valor, que corresponde à folha salarial dos trabalhadores, foi bloqueado pelo Banco Caruana em meio ao processo de recuperação judicial da companhia.

A situação gerou preocupação entre os colaboradores, que temem atrasos nos vencimentos e os impactos financeiros para suas famílias. Como os recursos são destinados ao pagamento de salários, considerados verbas de natureza alimentar pela legislação brasileira, o caso ganhou ainda mais relevância.

O impasse também preocupa usuários do transporte público. Responsável pela operação de linhas coletivas e escolares, o Grupo Caribus atende diariamente milhares de pessoas. Diante da incerteza sobre o pagamento dos salários, trabalhadores já sinalizaram a possibilidade de paralisação das atividades, o que poderia comprometer a prestação do serviço.

O grupo empresarial, formado pelas empresas Caribus Transportes e Expresso Caribus, está em recuperação judicial e acumula dívidas superiores a R$ 16 milhões. Segundo a empresa, a crise financeira foi agravada pelos reflexos da pandemia, pela queda no número de passageiros e por atrasos em repasses relacionados ao sistema de transporte.

Em decisão anterior, a Justiça já havia determinado a suspensão de cobranças, execuções e medidas de apreensão sobre a frota da empresa. Na ocasião, o juiz Márcio Aparecido Guedes destacou que a retirada dos veículos de circulação poderia causar prejuízos à mobilidade urbana e comprometer um serviço considerado essencial para a população.

Agora, a retenção dos recursos destinados à folha salarial surge como mais um desafio para o processo de recuperação da empresa. Especialistas apontam que, embora os credores possuam garantias e direitos de cobrança, a preservação das atividades empresariais exige a manutenção de recursos mínimos para custear despesas essenciais, especialmente o pagamento dos funcionários.

Entendimentos recentes do Judiciário têm reconhecido que valores vinculados à manutenção das operações podem ser considerados indispensáveis à recuperação judicial, sobretudo quando envolvem a preservação de empregos e a continuidade de serviços de interesse público.

A questão deverá ser analisada pela Justiça nos próximos dias. Enquanto isso, trabalhadores aguardam uma solução para o impasse e alertam para o risco de interrupção das atividades caso os salários não sejam pagos dentro do prazo previsto.