Presidente do TCE afirma que esquema de venda de materiais didáticos se espalhou por diversos municípios e promete aprofundar investigações
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, afirmou nesta quinta-feira (18) que uma suposta organização atuou durante anos para comercializar livros e materiais didáticos que, segundo ele, não eram necessários para as redes públicas de ensino em Mato Grosso.
A declaração foi feita durante vistoria ao barracão da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande destruído por um incêndio na noite de quarta-feira (17).
“Foi um ataque de uma grande quadrilha que se infiltrou em Mato Grosso para vender livros. E venderam toneladas e toneladas de livros. Livros desnecessários”, declarou o conselheiro.
Segundo Sérgio Ricardo, as suspeitas não se limitam às gestões atuais e envolvem contratos celebrados ao longo de vários anos em diferentes municípios mato-grossenses e também na rede estadual de ensino.
“Essa coisa dos livros, pelo que eu vejo, em todo o Estado de Mato Grosso, vem de muitos anos. Não é dessas gestões atuais. Isso vem de muitos anos”, afirmou.
O presidente do TCE ainda disse que recebeu relatos sobre materiais adquiridos com recursos públicos que permaneceram armazenados sem utilização. De acordo com ele, existem escolas que ainda mantêm exemplares datados de 2021 estocados.
Outro caso citado pelo conselheiro ocorreu em Água Boa, após denúncia da vereadora Josi Koch. Segundo Sérgio Ricardo, livros novos e ainda embalados teriam sido encontrados em um aterro controlado do município.
“No lixão de Água Boa, eles iam queimar um monte de livros. Ela foi lá, descobriu livros, todos no plástico ainda, que iam ser picotados”, relatou.
Ainda conforme o presidente do tribunal, há suspeitas de que milhares de exemplares tenham sido destruídos e até enterrados no local.
As declarações ocorrem no momento em que o TCE conduz auditorias sobre compras de materiais didáticos em municípios como Cuiabá e Rondonópolis, além de contratos firmados pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). As investigações analisam valores pagos, quantidade de materiais adquiridos, necessidade pedagógica e eventual desperdício de recursos públicos.
“Tudo aquilo que o Tribunal começa, ele termina. Então, tudo vai ser colocado em pratos limpos”, garantiu Sérgio Ricardo.
O conselheiro explicou que a visita ao galpão incendiado em Várzea Grande também teve relação com as apurações sobre os livros, já que o local armazenava materiais da área da educação.
“Uma das razões que me fez vir aqui é isso. É esse acidente, essa questão dos livros. Em Cuiabá, as coisas não estão ainda terminadas”, concluiu.
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