Grupo simulava doença e fraudava documentos para tentar legalizar cultivo e transporte de drogas
O delegado Eduardo Ribeiro, responsável pela investigação contra um grupo criminoso, afirmou na manhã desta quinta-feira (16) que os suspeitos vinham utilizando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) como “escudo” para sustentar atividades ligadas ao tráfico de drogas na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande.
A declaração foi feita durante a deflagração da Operação Supremo Engano, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), que cumpriu três mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão.
De acordo com o delegado, o principal investigado articulava uma estratégia para tentar obter autorização judicial que permitisse o cultivo e transporte de entorpecentes. Para isso, ele utilizava documentos falsos e simulava problemas de saúde, com o objetivo de conseguir um habeas corpus preventivo.
“O investigado tentou se valer de uma decisão legítima para encobrir uma atividade criminosa estruturada. Não se tratava de uso pessoal, mas de tráfico”, destacou Bruno Ribeiro.
Segundo as investigações, o grupo explorava o entendimento do STF que descriminalizou o porte de até 40 gramas de maconha para uso pessoal, distorcendo a decisão para justificar práticas ilegais.
O delegado coordenador Wilson Cibuski explicou que o esquema era sofisticado e envolvia diversas etapas, desde o cultivo até a distribuição da droga.
“Identificamos uma estrutura organizada, com divisão de funções e uso de artifícios para dificultar a ação policial”, afirmou.
Durante as diligências, os policiais apreenderam materiais e documentos que devem reforçar as provas já reunidas ao longo dos meses de investigação.
A apuração também revelou que o principal suspeito já havia sido preso anteriormente por tráfico. Na ocasião, foram encontradas drogas, insumos e estufas montadas para cultivo indoor de cannabis, evidenciando a continuidade da atividade criminosa.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a tentativa de dar aparência legal ao esquema. Segundo a polícia, o grupo adquiria produtos autorizados para uso medicinal, mantinha as embalagens originais e substituía o conteúdo por droga cultivada ilegalmente.
Além disso, o investigado chegou a provocar as autoridades em redes sociais, afirmando que consumiria entorpecentes em frente à sede da Denarc, citando a decisão do STF como justificativa.
Com o avanço das investigações, a polícia identificou outros envolvidos, responsáveis pela comercialização da droga e movimentação financeira do grupo, o que caracteriza, além do tráfico, o crime de associação para o tráfico.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar todos os integrantes do esquema e aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira do grupo.
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