“A direita é uma direita de resultados. Se alguém se considera na direita e não tem resultados, provavelmente está em um lugar equivocado.”
A fala do prefeito Abílio Brunini, em resposta ao vice-governador Otaviano Pivetta, reacende um debate que vai além das palavras — e expõe uma movimentação estratégica dentro da própria direita em Mato Grosso.
A pergunta que fica é direta: a direita está dividida… ou apenas se reposicionando?
Nos bastidores, o que se desenha não é um conflito ideológico clássico, mas uma disputa por narrativa, espaço e liderança.
De um lado, surge o discurso da chamada “direita de resultados”. Uma tentativa clara de reposicionamento político, com foco em eficiência, gestão e pragmatismo. É uma direita que busca se apresentar como mais técnica, menos ideológica e mais próxima do setor produtivo e de eleitores cansados da polarização.
Do outro lado, há resistência.
Um grupo que rejeita novos rótulos e sustenta que a direita, por essência, sempre foi orientada por resultados. Para esse campo, criar subdivisões pode fragmentar a base e enfraquecer o capital político construído nos últimos anos.
Mas esse debate não é apenas semântico.
É estratégico.
A criação de uma “centro-direita” mais moderada não acontece por acaso. É um movimento calculado para ampliar alcance eleitoral, dialogar com setores mais amplos da sociedade e ocupar um espaço que hoje está em disputa no cenário político.
Ao mesmo tempo, há o risco: ao tentar suavizar o discurso, pode-se perder identidade — algo que, para parte do eleitorado conservador, é inegociável.
E é aqui que Mato Grosso entra como peça-chave.
O eleitor mato-grossense é, majoritariamente, conservador. Mas também é pragmático. Valoriza discurso, sim — mas cobra entrega.
Na prática, isso significa que a narrativa só se sustenta se vier acompanhada de resultado concreto.
No fim das contas, o embate não é sobre quem é “mais direita”.
É sobre quem consegue:
- Entregar resultado
- Manter coerência
- E ampliar base sem perder identidade
A disputa, portanto, não é ideológica.
É por poder.
E principalmente, pelo futuro político do estado.