SUSPEITA DE FRAUDE NA EDUCAÇÃO

“Tem livro de matéria que nem existe”, diz Presidente do TCE ao recolher materiais de R$ 70 milhões em Cuiabá

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“Tem livro de matéria que nem existe”, diz Presidente do TCE ao recolher materiais de R$ 70 milhões em Cuiabá
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TCE encontrou apostilas produzidas por IA, erros de português e conteúdos sem aplicação na rede municipal de ensino

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, recolheu nesta sexta-feira (29) materiais didáticos investigados por suspeitas de irregularidades em contratos que ultrapassam R$ 70 milhões na Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá.

Durante vistoria realizada no almoxarifado da pasta ao lado do prefeito Abilio Brunini (PL), o conselheiro analisou livros com indícios de produção por Inteligência Artificial (IA), erros de português e conteúdos de disciplinas que sequer fazem parte da estrutura da rede municipal.

“Tem livro de matéria que nem existe na rede municipal. Tem material de informática sem laboratório de informática e conteúdo de educação financeira sem a disciplina existir nas escolas”, afirmou Sérgio Ricardo durante a fiscalização.

O presidente do TCE informou que todo o material será auditado e que a investigação vai analisar desde a necessidade das compras até os critérios utilizados nos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura.

Além da análise técnica dos livros, o conselheiro afirmou que pretende ouvir professores da rede municipal para entender se os materiais chegaram a ser utilizados nas salas de aula.

A suspeita de irregularidades ganhou repercussão após o prefeito Abilio Brunini divulgar, na última quarta-feira (27), um vídeo apontando possíveis problemas na aquisição dos materiais didáticos.

Segundo o prefeito, os contratos teriam sido firmados entre 2025 e 2026, durante a gestão do ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge.

Abilio afirmou ainda que cerca de R$ 21 milhões já haviam sido pagos antecipadamente, mesmo em meio a problemas enfrentados pelas escolas municipais, como falta de manutenção, dificuldades na limpeza, transporte escolar, alimentação e reformas estruturais.

Após a repercussão do caso, a atual gestão informou que suspendeu os pagamentos relacionados aos materiais investigados.

Na quinta-feira (28), o ex-secretário Amauri Monge esteve na Câmara Municipal de Cuiabá e negou qualquer irregularidade. Em entrevista coletiva, ele afirmou que não existe contrato de R$ 70 milhões para compra de livros e rebateu as acusações feitas pelo prefeito.

O caso também provocou reação no Legislativo municipal. Vereadores da base e da oposição já protocolaram pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos da Educação.