POR AGNELO CORBELINO

Artigo de Opinião - Quando o Estado falha, a violência mata

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Artigo de Opinião - Quando o Estado falha, a violência mata
Da assessoria

Enquanto discursos oficiais falam em avanços, mulheres continuam sendo assassinadas dentro de casa, diante da omissão do Estado e da incapacidade das autoridades em transformar leis em proteção real

Enquanto discursos oficiais falam em avanços, mulheres continuam sendo assassinadas dentro de casa, diante da omissão do Estado e da incapacidade das autoridades em transformar leis em proteção real.

No Brasil, quatro mulheres são mortas por dia apenas por serem mulheres. Uma a cada seis horas. Não estamos falando de números frios. Estamos falando de mães, filhas, esposas, trabalhadoras — vidas interrompidas por uma violência anunciada e muitas vezes ignorada.

Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública escancaram uma tragédia crescente: 1.467 feminicídios em 2023, 1.492 em 2024 e 1.568 em 2025.

O Brasil já ocupa uma das posições mais vergonhosas do mundo quando o assunto é assassinato de mulheres. E a pergunta que ecoa é simples: até quando?

Em Mato Grosso, a situação é alarmante e revoltante. Entre 2019 e 2025, foram 338 feminicídios registrados. Ou seja, 338 mulheres que tiveram seus sonhos, suas famílias e suas histórias destruídas pela violência.

Os números revelam algo ainda mais cruel: 71% dos assassinatos foram cometidos por parceiros, ex-parceiros ou companheiros; 65% aconteceram dentro de casa. Para tornar a situação ainda mais dura, mais da metade dos crimes foram cometidos com arma branca, o que revela violência extrema, proximidade, brutalidade e falência dos mecanismos de proteção.

O mais grave? Muitas dessas mulheres já haviam pedido socorro.

Desde 2022, Mato Grosso concedeu mais de 71 mil medidas protetivas de urgência. Ainda assim, mulheres continuaram sendo assassinadas mesmo sob proteção judicial. Isso desmonta o discurso confortável de que basta criar leis. Não basta.

Falta monitoramento eficiente. Falta estrutura policial especializada no interior. Falta integração entre Judiciário, segurança pública e assistência social. Faltam casas de acolhimento. Faltam delegacias funcionando 24 horas. Falta acompanhamento psicológico para vítimas. Falta controle e fiscalização sobre agressores reincidentes. Faltam políticas públicas permanentes. E sobra omissão.

Não é aceitável que um estado rico como Mato Grosso, potência do agronegócio e líder em arrecadação, continue liderando rankings nacionais de feminicídio proporcional enquanto mulheres seguem morrendo dentro de casa.

O governo do Estado precisa parar de tratar o tema apenas como estatística de relatório e assumir uma política agressiva de prevenção, inteligência policial e proteção efetiva às mulheres.

E o Governo Federal também não pode continuar escondido atrás de campanhas publicitárias e discursos ideológicos enquanto o país inteiro presencia uma escalada brutal da violência doméstica.