TENTATIVA DE HOMICÍDIO

"As imagens mostram que não houve legítima defesa", diz delegado após prisão de policial penal

· 2 minutos de leitura
"As imagens mostram que não houve legítima defesa", diz delegado após prisão de policial penal
Reprodução

Servidora é investigada por tentativa de homicídio contra entregador baleado durante negociação para devolução de celular, em Cuiabá

O delegado Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que as imagens de câmeras de segurança demonstram que não houve legítima defesa por parte da policial penal Jorcelina Franca Viegas, de 46 anos, presa preventivamente nesta terça-feira (5), por tentativa de homicídio contra o entregador Carlos Filipe Magalhães Fernandes, de 34 anos.

"Nós representamos pela prisão dela e hoje demos cumprimento por homicídio tentado. Nas imagens ficou claro que não houve legítima defesa. Agora as investigações continuam", declarou o delegado.

A ordem de prisão preventiva foi cumprida por equipes da DHPP. Jorcelina é investigada por atirar contra Carlos Filipe no dia 22 de julho, em frente à própria residência, no bairro CPA IV, em Cuiabá.

Segundo a versão apresentada pela policial penal, a ocorrência começou após a filha dela esquecer um telefone celular em um caixa eletrônico. O aparelho teria sido encontrado por Carlos Filipe, que passou a exigir dinheiro para devolvê-lo.

Ainda conforme a investigada, durante as conversas o homem afirmou integrar uma facção criminosa e ameaçou repassar o aparelho a terceiros caso o pagamento não fosse realizado. As partes marcaram um encontro em frente à casa da policial para a devolução do celular.

No local, a servidora sacou a arma e efetuou disparos que atingiram o entregador pelas costas.

Em um primeiro momento, Jorcelina alegou que agiu em legítima defesa, afirmando que Carlos Filipe tentou tomar sua arma. No entanto, conforme a Polícia Civil, a análise das imagens de segurança descartou essa versão ao mostrar que não houve qualquer agressão por parte do homem antes dos tiros.

O entregador foi socorrido e encaminhado a uma unidade de saúde.

A defesa da policial penal, representada pelo advogado Márcio de Deus, sustenta que Carlos Filipe atuava como intermediário em um esquema de extorsão para devolução do aparelho celular.

Segundo o advogado, um áudio enviado à servidora mostra um homem exigindo R$ 600 para devolver o telefone e ameaçando divulgar informações pessoais armazenadas no dispositivo.

"A mídia divulgou tão somente o momento em que a policial penal defere alguns projéteis em direção ao entregador, contudo, esqueceu de publicar que a policial penal vinha sofrendo extorsão. Era uma situação de risco onde a policial penal trabalhou para que esse risco cessasse", afirmou.

A defesa também argumenta que a chegada do entregador para receber o dinheiro configurava o flagrante da extorsão e que a policial deu voz de prisão antes dos disparos.

A Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento para esclarecer todos os fatos e concluir a investigação.

Veja vídeo

0:00
/0:37
0:00
/4:14