Magistrado rejeita versão da defesa, aponta violação deliberada do equipamento e mantém investigado por integrar o núcleo financeiro do Comando Vermelho preso
O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, titular da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, afirmou que Ronaldo Queiroz de Amorim Junior, sobrinho de Sebastião Lauze, conhecido como "Dono da Quebrada", rompeu deliberadamente a tornozeleira eletrônica para escapar da ação da Justiça e negou o pedido de revogação da prisão preventiva. O investigado é apontado pela Polícia Civil como integrante do núcleo financeiro do Comando Vermelho em Mato Grosso.
Na decisão, o magistrado entendeu que Ronaldo descumpriu as medidas cautelares impostas pela Justiça ao violar propositalmente o equipamento de monitoramento eletrônico, conduta que, segundo ele, demonstra tentativa de evitar a responsabilização criminal.
A defesa alegou que o rompimento da tornozeleira ocorreu em razão de um forte abalo emocional de ordem pessoal e que não houve intenção de dificultar a atuação da Justiça. O argumento, porém, foi rejeitado por falta de provas.
Segundo o juiz, as investigações indicam que a violação do equipamento permitiu que o investigado escapasse da prisão durante o cumprimento dos mandados da Operação Retirada.
Um laudo pericial elaborado por um engenheiro eletricista reforçou esse entendimento. O documento concluiu que a tornozeleira não apresentou defeito técnico nem sofreu danos acidentais, mas foi rompida por ação humana.
Conforme a decisão, o equipamento foi submetido a uma "ação mecânica externa deliberada, incompatível com falha de funcionamento ou dano acidental".
Ronaldo Queiroz de Amorim Junior também é investigado na Operação Ludus Sordidus, que apura a atuação de um grupo suspeito de envolvimento com tráfico de drogas, estelionatos e exploração de apostas ilegais em Mato Grosso.
Ao acolher o parecer do Ministério Público, o magistrado concluiu que a conduta do investigado demonstra "notória intenção de se furtar à aplicação da lei penal".
De acordo com os autos, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na residência de Ronaldo, os policiais encontraram apenas a tornozeleira eletrônica rompida. O investigado não foi localizado no imóvel.
Com a decisão, Ronaldo Queiroz de Amorim Junior permanecerá preso preventivamente e continuará respondendo ao processo sob custódia da Justiça.