Conversas extraídas do celular de Thays Machado mostram pressão psicológica, monitoramento constante e comportamento possessivo do acusado antes do duplo homicídio
O Ministério Público de Mato Grosso afirma que novas provas anexadas ao processo reforçam a tese de que Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, premeditou o assassinato da ex-namorada Thays Machado e do então namorado dela, William César Moreno, em janeiro de 2023, em Cuiabá.
As conversas extraídas do celular de Thays revelam que o acusado insistia em manter contato, fazia cobranças constantes e demonstrava não aceitar o fim do relacionamento. Segundo os autos, o comportamento se tornou cada vez mais obsessivo, com mensagens em que exigia respostas imediatas e demonstrava acompanhar a rotina da vítima.
Em uma das conversas, Carlinhos afirma ter visto Thays em um restaurante, surpreendendo a ex-companheira, que questiona como ele sabia onde ela estava.
As investigações também apontam que o monitoramento não se restringia às mensagens. Um rastreador foi encontrado instalado no veículo utilizado por Thays, reforçando a suspeita de que seus deslocamentos eram acompanhados sem seu conhecimento.
Para o Ministério Público, o conteúdo das mensagens e as demais provas reunidas fortalecem a acusação de que o crime foi motivado pela inconformidade do acusado com o término do relacionamento e planejado com antecedência.
Thays Machado e William César Moreno foram mortos a tiros em janeiro de 2023, em frente ao edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.
O julgamento de Carlinhos Bezerra chegou a ser iniciado nesta semana, mas foi adiado após a defesa abandonar a sessão alegando não ter tido tempo suficiente para analisar os autos. O Tribunal do Júri foi remarcado para o dia 31 de julho, quando o acusado responderá por duplo homicídio qualificado.