CASO RENATO NERY

Pistoleiro que matou advogado Renato Nery é condenado a quase 34 anos de prisão

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Pistoleiro que matou advogado Renato Nery é condenado a quase 34 anos de prisão
Reprodução

Executor confesso do crime também foi condenado a pagar indenização equivalente a 40 salários mínimos à família da vítima; investigações apontam que homicídio foi encomendado por disputa milionária de terras

O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, na quarta-feira (16), Alex Roberto de Queiroz Silva a 33 anos e 10 meses de prisão pelo assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT). Além da pena, o réu deverá pagar uma indenização correspondente a 40 salários mínimos à família da vítima.

O julgamento, realizado no Fórum de Cuiabá, representa o primeiro desfecho judicial de um dos crimes de maior repercussão em Mato Grosso. Renato Nery foi baleado na cabeça no dia 5 de julho de 2024, enquanto chegava ao escritório de advocacia, em uma das avenidas mais movimentadas da capital. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no dia seguinte em decorrência dos ferimentos.

Durante o interrogatório, Alex confessou a execução e afirmou que aceitou participar do crime porque estava endividado e sendo ameaçado por agiotas. Segundo ele, a proposta para matar o advogado surgiu durante um churrasco, quando ouviu falar de uma "encomenda" pela qual seriam pagos cerca de R$ 200 mil.

O condenado declarou ainda que recebeu aproximadamente R$ 100 mil para executar o homicídio.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o assassinato foi cuidadosamente planejado, com divisão de funções entre os envolvidos. A investigação aponta que a motivação do crime estaria ligada a uma disputa judicial envolvendo uma fazenda com mais de 12 mil hectares, localizada no município de Novo São Joaquim e avaliada em milhões de reais.

O julgamento desta quarta-feira foi o primeiro de uma série de sessões previstas pela Justiça. Conforme a acusação, os empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi são apontados como mandantes intelectuais do homicídio e teriam financiado a execução do advogado.

O processo também envolve policiais militares da Rotam, investigados por atuarem como intermediários da ação criminosa e por supostamente tentarem forjar um confronto para esconder a arma utilizada no assassinato.

A família de Renato Nery acompanhou o julgamento. Em depoimento, a filha da vítima, Lívia Nery, relembrou o momento em que encontrou o pai gravemente ferido e afirmou que a família somente terá sensação de justiça quando todos os envolvidos, incluindo os mandantes, forem julgados e condenados.