Presidente do TCE-MT afirma que problemas no projeto e na execução da obra contribuíram para a deterioração da rodovia e defende a reconstrução completa dos trechos comprometidos.
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, afirmou nesta quarta-feira (3) que trechos da MT-170 apresentam graves falhas estruturais e precisam ser refeitos. A declaração foi feita durante vistoria realizada na rodovia, na região de Juruena, onde ele analisou pontos críticos da estrada e ouviu relatos de moradores e autoridades locais.
Durante a inspeção, o Gestor citou o caso de Anselmo, motorista que morreu após tentar desviar de um buraco na pista e colidir com uma carreta. Segundo ele, o acidente evidencia os riscos enfrentados diariamente por quem trafega pela rodovia.
Ao percorrer o trecho danificado, o presidente do TCE afirmou que a estrutura do asfalto está comprometida e que parte do problema teria sido causada por alterações no projeto original da obra. De acordo com ele, o projeto elaborado ainda na época em que a rodovia era administrada pelo governo federal previa um aterro mais elevado para proteger a pista da ação da água.
“Quando a estrada foi estadualizada, o projeto foi alterado e o aterro previsto não foi executado da forma original. A consequência é que a água acabou comprometendo a estrutura da rodovia”, afirmou.
Sérgio destacou que a região possui lençol freático elevado e recebe grande volume de chuvas, fatores que exigiriam uma base mais robusta para garantir a durabilidade da pavimentação. Segundo ele, a redução da camada de aterro contribuiu para o surgimento de deformações, buracos e afundamentos ao longo da pista.
Durante a visita, vereadores, lideranças políticas e representantes do setor produtivo relataram que a MT-170 era uma reivindicação histórica da população local, aguardada há quase quatro décadas. Apesar da satisfação com a pavimentação da estrada, eles demonstraram preocupação com o rápido desgaste da obra.
O presidente do TCE afirmou que o órgão irá acompanhar o caso e cobrar providências para garantir a recuperação da rodovia.
“Nós vamos exigir que essa estrada seja refeita para que ninguém mais perca a vida em decorrência desses problemas. O asfalto pode ser reconstruído, mas a vida das pessoas não pode ser devolvida”, declarou.
Segundo ele, os levantamentos técnicos já identificaram as causas dos danos observados na rodovia. Ele defendeu que os serviços sejam executados de forma definitiva, evitando que os mesmos problemas se repitam em outros trechos construídos com o mesmo padrão.
Ao final da vistoria, o presidente do Tribunal de Contas reforçou que a instituição continuará fiscalizando obras públicas em todas as regiões do estado e acompanhará as medidas adotadas para a recuperação da MT-170.
“Vamos cobrar, orientar e fiscalizar para que essa estrada seja entregue da forma que a população sonhou e merece”, concluiu.