Prefeito de Cuiabá questionou realização da ação em período eleitoral e afirmou que declarações antecipadas de políticos prejudicaram o trabalho investigativo
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que teve o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), candidato ao Senado, como um dos alvos. Segundo Abilio, o suposto vazamento antecipado de informações sobre a ação comprometeu a credibilidade da investigação.
Em entrevista, o prefeito afirmou que declarações feitas antes da operação por lideranças políticas, como o ex-governador Pedro Taques (PSB) e o senador Jayme Campos (União Brasil), levantaram questionamentos sobre a condução do caso.
Abilio também citou um áudio atribuído a uma irmã de Jayme Campos, no qual ela teria afirmado que “do dia 5 não passa”, em referência à possibilidade de uma operação contra Mauro Mendes.
“O que eu entendo de ruim para esse processo da investigação é o vazamento até da data, porque parece que alguém, não sei se o Pedro Taques ou o Jayme, já dizia que a operação ia acontecer até o dia 5. Estavam dando várias entrevistas falando que ia acontecer”, declarou.
O prefeito ainda questionou o momento escolhido para a deflagração da operação, por ocorrer durante o período eleitoral. Segundo ele, ações contra candidatos deveriam ocorrer apenas em situações específicas previstas pela Justiça.
“Existe uma situação, acho que do CNJ, que fala que operações durante o período eleitoral contra candidatos devem ser feitas somente se o caso estiver ocorrendo naquele momento. Pelo que eu soube, isso é uma investigação de um assunto que tem dois anos”, afirmou.
Para Abilio, o possível vazamento de informações teria transformado uma investigação técnica em um episódio político.
“Eu acredito que contaminou o processo da investigação, prejudicou um pouco o procedimento deles. Não vejo que talvez seja interesse da Polícia Federal fazer isso, porque eles têm interesse em preservar a imagem deles, mas quem conduziu esse processo, ao passar informações privilegiadas ou transformar isso em um ato político, acabou prejudicando todo o trabalho da investigação”, disse.
A Operação Heritage foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, e apura um suposto esquema envolvendo um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi S.A. A investigação aponta suspeitas de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.
Segundo a decisão judicial, há indícios de que uma estrutura financeira formada por fundos de investimento em cascata e empresas intermediárias teria sido utilizada para ocultar a origem e a destinação de mais de R$ 308 milhões.
Entre os alvos da operação estão Mauro Mendes; a primeira-dama Virginia Mendes (União Brasil), candidata a deputada federal; familiares do casal; o desembargador Ricardo Gomes de Almeida, que teve o passaporte apreendido; e a subprocuradora-geral da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Fabíola Paulino Garcia, irmã do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), candidato a vice-governador.
Ao todo, 31 pessoas são investigadas. Os envolvidos negam irregularidades e afirmam que irão colaborar com as apurações.