Ex-secretário da Seduc afirma confiar na conduta do ex-gestor municipal e sustenta que materiais questionados atendem diretrizes da educação nacional
O ex-secretário de Estado de Educação de Mato Grosso, Alan Porto (Republicanos), saiu em defesa do ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, que é alvo de investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e também de questionamentos na Câmara Municipal sobre a compra de materiais didáticos para a rede de ensino da capital.
Durante a inauguração da nova sede estadual do Republicanos, realizada na noite de segunda-feira (15), Alan afirmou acreditar na idoneidade do ex-gestor e disse que ele terá condições de esclarecer as denúncias que envolvem sua passagem pela Secretaria Municipal de Educação.
“Eu sempre acredito na idoneidade dele e tenho certeza de que ele vai esclarecer positivamente toda essa investigação. Na época em que atuou na Seduc, nunca houve qualquer situação que desabonasse sua conduta”, declarou.
Ao comentar as críticas feitas pelo presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, e pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), Porto também defendeu a aquisição de materiais como livros de educação financeira e conteúdos socioemocionais, que passaram a ser questionados após auditorias preliminares realizadas pelo município.
Segundo ele, os temas fazem parte das orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e podem ser trabalhados de forma interdisciplinar dentro das escolas, mesmo sem constituírem disciplinas específicas.
“São conteúdos transversais previstos na educação brasileira. Educação financeira, por exemplo, é um tema extremamente importante para a formação dos estudantes e está alinhado às diretrizes nacionais de ensino”, argumentou.
A polêmica ganhou força após o prefeito Abilio Brunini denunciar ao Tribunal de Contas supostas irregularidades na aquisição de materiais didáticos durante a gestão de Amauri Monge. A Prefeitura estima que cerca de R$ 21 milhões tenham sido destinados à compra de livros e outros materiais que, segundo a atual administração, não teriam compatibilidade com a realidade da rede municipal.
Durante vistoria realizada no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação, Sérgio Ricardo e Abilio encontraram milhares de exemplares armazenados. Entre os materiais questionados estão livros de educação financeira e apostilas voltadas à informática, apesar de a maioria das unidades não possuir laboratórios equipados para esse tipo de atividade.
O presidente do TCE classificou a situação como grave e determinou a realização de auditorias para apurar possíveis falhas na aplicação dos recursos públicos.
Por sua vez, Amauri Monge nega qualquer irregularidade. Em depoimento prestado à Câmara Municipal, o ex-secretário afirmou que todas as aquisições seguiram critérios técnicos e legais, rebatendo ainda informações sobre supostos contratos que chegariam a R$ 70 milhões.
O caso segue sob investigação do Tribunal de Contas e também pode resultar na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Legislativo cuiabano.