Réu confesso afirmou que foi procurado pelo policial militar Heron Teixeira e que não teve contato com os supostos mandantes apontados pela investigação
O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva afirmou nesta quarta-feira (15), durante julgamento no Tribunal do Júri, que recebeu cerca de R$ 100 mil para executar o advogado Renato Gomes Nery e que aceitou participar do crime porque estava endividado e sofria pressão de agiotas.
Em depoimento no Fórum de Cuiabá, Alex, que confessou ter matado o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), afirmou aos jurados que soube da proposta por meio do policial militar Heron Teixeira Pena Vieira. Segundo ele, Heron teria informado que havia pessoas interessadas em contratar alguém para matar um advogado.
"Eu sou réu confesso, não teria por que mentir isso. Eu estava endividado, sofrendo pressão de agiota e da minha família. Eu estava num churrasco com o Heron e ele me falou que estavam querendo contratar alguém para matar um advogado. Aí eu pesquisei o nome do advogado e, dois dias depois, fui lá e atirei nele", declarou.
Alex afirmou ainda que desistiu de uma primeira tentativa porque teria se arrependido, mas retornou ao local no dia seguinte e executou Renato Nery.
Segundo o réu, após o assassinato, ele informou Heron sobre o crime e recebeu posteriormente o pagamento pelo serviço.
"Eu fui lá e matei o advogado. Depois falei para ele que matei o advogado. Aí ele falou que ia cobrar o pessoal, só que eu não sabia quem eram", afirmou.
A declaração apresentada por Alex diverge parcialmente da versão sustentada pela investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Conforme a acusação, o assassinato foi planejado por uma rede de envolvidos. Os empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi são apontados como mandantes do crime e teriam contratado policiais militares para organizar a execução, recrutar o executor, fornecer a arma e intermediar os pagamentos.
O delegado Bruno Abreu, titular da DHPP, afirmou antes do julgamento que a investigação reuniu provas que indicariam a participação de todos os envolvidos e apontou que os supostos mandantes teriam pago R$ 200 mil aos intermediários.
Renato Gomes Nery foi assassinado em 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório de advocacia localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por disparos, chegou a ser socorrido, mas morreu horas depois.
Segundo o Ministério Público, a execução teria sido motivada por uma disputa judicial envolvendo uma área rural de mais de 12 mil hectares em Novo São Joaquim, avaliada em mais de R$ 30 milhões.