Nilton Borgato foi condenado após ser apontado como integrante de esquema que tentou enviar mais de 685 quilos de cocaína para Portugal
O ex-secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso, Nilton Borges Borgato, recorreu da condenação a 8 anos e 8 meses de prisão, em regime inicial fechado, por tráfico internacional de drogas.
A defesa apresentou embargos de declaração contra a sentença e pede que a Justiça reavalie pontos da decisão. Segundo os advogados, existem supostas omissões, contradições e obscuridades que podem ter influenciado tanto na condenação quanto na pena aplicada.
Borgato foi alvo da Operação Descobrimento, da Polícia Federal, que investigou um esquema de tráfico internacional de drogas. Conforme a apuração, ele teria sido apontado como uma das lideranças do grupo responsável pela tentativa de envio de 685,19 quilos de cocaína para Portugal em um jato executivo de luxo.
A defesa também questiona o desmembramento do processo em relação a outros investigados. Segundo os advogados, pessoas apontadas como diretamente ligadas a Borgato foram ouvidas em processos separados, sem que houvesse uma instrução conjunta ou o compartilhamento integral das provas produzidas nesses autos.
“Logo, o Embargante foi condenado com base em diálogos cujos interlocutores não foram inquiridos nestes autos”, diz um trecho do recurso.
Os embargos ainda serão analisados pela Justiça.
Droga foi encontrada em jato
A investigação começou em fevereiro de 2021, depois que a Polícia Federal apreendeu 685,19 quilos de cocaína escondidos na fuselagem de um jato executivo Dassault Falcon 900B, pertencente à empresa portuguesa Omni Aviação e Tecnologia S.A.
A droga foi localizada durante uma inspeção técnica no Aeroporto Internacional de Salvador, após a aeronave apresentar um problema.
Segundo a investigação, a cocaína havia sido colocada no avião em um hangar no aeroporto de Jundiaí, em São Paulo. Depois, a aeronave seguiu para Salvador, de onde partiria para Portugal.
Ainda conforme a Polícia Federal, Borgato teria mantido uma relação próxima com outros integrantes apontados como líderes do grupo, entre eles o lobista e empresário Rowles Magalhães.