Em depoimento emocionado, Lívia Nery relembrou os momentos após o atentado que matou o advogado e descreveu o sofrimento da vítima enquanto recebia os primeiros socorros
A filha do advogado Renato Gomes Nery, Lívia Moreira Gomes Nery, emocionou o Tribunal do Júri ao relatar, na quarta-feira (16), os momentos de desespero vividos após o atentado que matou o pai, em frente ao escritório de advocacia, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá.
Durante o julgamento de Alex Roberto de Queiroz Silva, executor confesso do crime, Lívia contou que chegou ao local poucos minutos após os disparos e encontrou o pai gravemente ferido. Segundo ela, uma das cenas que jamais saiu da memória foi ver fragmentos da cabeça do advogado espalhados pelo chão.
"Tinham pedacinhos da cabeça dele ali no local. A massa encefálica saiu. Eu passei a mão no chão na esperança de levar aquilo comigo. Eu sabia que não tinha como colocar de volta, mas era o desespero de uma filha", declarou aos jurados.
Lívia afirmou que não presenciou o momento em que o pai foi baleado, mas chegou cerca de cinco minutos depois do atentado. Naquele instante, disse que ainda não sabia quem havia cometido o crime nem a motivação da execução.
Ela relatou que encontrou Renato Nery consciente, chorando de dor e lutando para respirar enquanto era sufocado pelo próprio sangue.
"A única coisa que eu sabia era que ele tinha levado tiros na cabeça. Ele urrava de dor, estava sendo asfixiado pelo sangue. Saía sangue pelos olhos, pelo nariz, pelos ouvidos e pela cabeça. Foi uma cena que nunca vou esquecer", afirmou.
A filha do advogado acompanhou todo o atendimento prestado pelas equipes de resgate e também a atuação da Polícia Civil no local. Segundo o depoimento, ela presenciou o momento em que os socorristas precisaram entubar Renato ainda dentro da ambulância diante da gravidade dos ferimentos.
"Vi os paramédicos tentando salvá-lo. Eles diziam que não havia mais resposta das pupilas. Foi um momento desesperador", relembrou.
Durante o depoimento, Lívia explicou que a irmã, Renata Nery, que estava no escritório quando o crime aconteceu, não participou do julgamento por recomendação médica. Segundo ela, Renata faz tratamento psicológico desde o assassinato e ainda não reúne condições emocionais para reviver os fatos.
Julgamento
Alex Roberto de Queiroz Silva é o primeiro dos denunciados a ser levado ao Tribunal do Júri. Ele confessou à Polícia Civil ter executado Renato Nery e afirmou que aceitou cometer o crime mediante a promessa de receber R$ 215 mil.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o homicídio foi encomendado pelos empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, em razão de uma disputa judicial envolvendo uma fazenda com mais de 12 mil hectares, avaliada em mais de R$ 30 milhões, no município de Novo São Joaquim.
A denúncia também aponta que o sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira teria atuado como intermediário entre os supostos mandantes e o executor. Outros quatro policiais militares respondem ao processo, acusados de participar de um plano para simular um confronto policial e esconder a arma utilizada no assassinato do advogado.