Soldado mais condecorado da Austrália é acusado de assassinatos no Afeganistão
O diretor de investigações do Escritório de Investigação Especial (OSI), Ross Barnett, afirmou que a apuração dos crimes atribuídos ao ex-soldado Ben Roberts-Smith é uma das mais complexas já conduzidas, devido às dificuldades de acesso a provas em zona de guerra.
Ben Roberts-Smith, considerado o militar vivo mais condecorado da Austrália, foi preso no dia 7 de abril de 2026, no aeroporto de Sydney, acusado de crimes de guerra cometidos durante sua atuação no Afeganistão entre 2009 e 2012.
Ele responde por acusações de assassinato, coautoria e participação indireta em homicídios.
As suspeitas vieram à tona em 2020, após a divulgação do chamado “Relatório Brereton”, que identificou evidências de execuções ilegais cometidas por forças especiais australianas, com ao menos 39 vítimas.
Segundo Barnett, a investigação enfrenta limitações severas.
“Não podemos acessar o local dos fatos, nem reunir provas físicas tradicionais, como análises balísticas ou perícias no local”, destacou.
Em 2023, um tribunal federal já considerou procedentes as acusações em âmbito civil, apontando a participação do militar em ao menos quatro homicídios. No entanto, o caso agora segue na esfera criminal, onde o padrão de prova é mais rigoroso.
Roberts-Smith nega todas as acusações e afirma que suas ações ocorreram dentro das regras de combate.
Em 2025, o Supremo Tribunal australiano rejeitou um recurso da defesa, mantendo o avanço do caso.
Diante das acusações, o Memorial de Guerra Australiano informou que irá revisar a exibição dedicada ao militar, que até então era tratado como herói nacional.
O caso segue em andamento na Justiça australiana.