Ministro do STF atendeu pedido da PGR e concluiu que os fatos envolvendo o ex-presidente já foram analisados na ação sobre a tentativa de golpe de Estado
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento da investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que apura o suposto esquema da chamada "Abin Paralela". A decisão segue manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que entendeu que a conduta atribuída ao ex-presidente já foi analisada na ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado.
Com a decisão, também foi encerrada a investigação contra integrantes da cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que atuaram durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No despacho, Alexandre de Moraes afirmou que a estrutura conhecida como "Abin Paralela" funcionava como uma célula clandestina de monitoramento ilegal, que, segundo as investigações, não se limitava ao acompanhamento de autoridades públicas, mas também alcançava jornalistas.
"A célula clandestina também utilizava demais ferramentas, inclusive sistemas para ocultação de rastros e expedientes impróprios em casos de alvos mais sensíveis", registrou o ministro na decisão.
Moraes também arquivou a investigação contra o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, acolhendo o entendimento da PGR de que os fatos relacionados a ele igualmente já foram examinados no processo que trata da suposta tentativa de golpe.
Apesar do arquivamento em relação a Bolsonaro e Ramagem, a investigação continua para outros envolvidos. As apurações remanescentes, incluindo as que envolvem o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), foram remetidas ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que dará continuidade às investigações.